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ANTONIO BRAND: UMA PERDA IRREPARÁVEL

No limiar do século XXI, Mato Grosso do Sul perde um dos melhores e mais atuantes indigenistas do Estado, seus trabalhos científicos, atrelado a povos indígenas, no tocante a demarcação de terras, hoje são referências desde a pesquisas historiográficas a laudos antropológicos, difundiu o termo confinamento compulsório, construiu durante toda sua carreira na academia uma ampla bagagem de escritos relevantes, é deploravél que sua Dissertação de Mestrado e Tese de Doutorado estejam engavetados nas universidades, é preciso publica-los, não pela circunstância de seu falecimento, mas pela qualidade de seu conteúdo, a sociedade civil precisa ter acesso a tais conhecimentos.

Discípulo de Darcy Ribeiro, o conspícuo Doutor lutou incansávelmente pelos povos autóctones, alinhavou dentre os acadêmicos indígenas a permanência nas universidades, propiciando suporte durante o curso, trouxe á baila, a necessidade de políticas públicas no ensino superior aos povos indígenas, alavancou e apoiou indígenas na pós-graduação, fez-se presente nos acampamentos junto a indios desaldeiados.

Figura ímpar, o lídimo etno-historiador deixa uma lacuma dificil de ser preenchida pois, modéstia parte, não há ninguém a sua altura, gaucho nato, trazia em nossas reunioes seu bom e velho chimarrão e no rito de exprimir a agua quente mesclado com erva mate, compartilhava. Mas a labuta continua, e como forma de homenagea-lo devemos trilhar seus caminhos, nos difíceis caminhos das palavras para extirpar nossa angústia, aproprio-me das palavras do apóstolo Paulo e faço uma analogia para dizer que o intelectual e guerreiro Antonio Brand, combateu um bom combate, acabou a carreira, guardou a fé.

 RONILDO JORGE
Acadêmico Indígena de História/UFGD