Seja bem-vindo! Hoje é

Acadêmicos indígenas, a próxima vítima!

Lembro como se fosse hoje, o dia em que conheci Ludesvoni Pires, cabelos lisos, longos, olhar firme e um belo sorriso no rosto, uma mulher trabalhadora. Tive a aportunidade de aprender com ela a arte da cerâmica Terena, desde a escolha do barro, preparação, moldagem e queima, isto não é fácil, exige trabalho com as mãos e força nos braços, ela me ensinou cada segredo, cada detalhe in loco, se não fosse ela, eu como Terena autóctone não saberia parte essencial que é do meu próprio ethos, da minha própria natureza, se hoje sei produzir cerâmica agradeço a ela e reconheço todos aqueles que fazem desta arte um modo de sobreVIVER e divulgar a arte Terena.
Esqueço-me , as vezes, de como a sociedade sul-matogrossense tem repugnância contra os povos indígenas, o racismo pregado pela elite é tão violênto que armam ciladas, matam lideranças (Marçal de Sousa) assasinam professores indígenas (Rolindo Verá e Genivaldo Verá) e como se não bastasse, atiram bomba caseira em onibus de estudantes e acadêmicos indígenas, buscam apoderar-se através da carnificina do último pó de terra, da última alma do último índio, sua sua avidez e sede é tanta que não cessam enquanto não vêem sangue de índio respingando no chão, desde o início da colonização promovem a matança indígena em massa, portanto, carregam no corpo e na alma um ESPÍRITO ASSASSINO!MALDITO!NEFASTO! o status quo que se encontra a nossa sociedade é um caos, deprimente, o Estado assiste calado e de braços cruzados, se quem cala consente deixo explicito aqui: EU NÃO CALO, NÃO CONSINTO, EU FALO, EU ESCREVO, EU REPUDIO toda e qualquer forma de violência contra o ser humano, independentemente das circunstâncias.
Estudantes e acadêmicos indígenas foram e serão a próxima vítima, isto é fato, o próximo alvo de sujeitos truculentos, estúpidos! desprovidos de ética e moral, munidos de racismo e armas, encravam o ódio contra indígenas em Mato Grosso do Sul (Terra de nínguém), usam da barbárie beirando a loucura para alcançar seus intereses(Modus operandi), aos acadêmicos indígenas como nova camada emergentes na sociedade deixo o alerta, tomem cuidado! abra o olho! melhor, abram os olhos e ouvidos, caso contrário, pessoas inocentes como Ludesvoni Pires, que perdeu a vida num onibus escolar, faleceram, ela deixa para trás quatro filhos e uma vida inteira, compartilho aqui minha dor e revolta, que se instalou na aldeia Cachoeirinha(Miranda-MS), no meio do Pantanal, no âmago do meu pranto profundo pela sua morte.


Ronilo Jorge
Acadêmico indígena de História/UFGD

19 de Agosto - Dia do Historiador


A proposta de homenagear os historiadores é de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), um dos políticos mais capacitados para falar de educação neste país. Inicialmente, a data escolhida foi o dia 12 de setembro. Mas ai, foi proposta uma emenda, aprovada pela comissão, que alterava a data para 19 de agosto. Isso tudo foi registrado na LEI Nº 12.130, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2009.

O objetivo era aproveitar a data para homenagear Joaquim Nabuco, que nasceu no dia 19 de agosto de 1849. Nabuco, para quem gosta de História do Brasil, foi um dos maiores abolicionistas deste país. Também foi político, diplomata, jurista, jornalista, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e também Historiador.

Para homenagear a data de hoje, coloco aqui um trecho da justificativa do senador para criar o Dia do Historiador:

"Um povo sem história é um povo sem memória. Essa afirmação, mais que um dito já popular, é também uma verdade histórica, pois todos os agrupamentos humanos que não preservaram sua memória - em histórias, documentos, objetos de arte e arquitetura - acabaram sucumbindo a ditaduras e até acabaram por desaparecer da face da Terra.

Por essa razão, não apenas a disciplina que trata das histórias dos povos deve merecer nossa atenção, mas também os cientistas que se dedicam a essa tarefa tão nobre. Obviamente, a história se faz por seus protagonistas: lideranças políticas, religiosas e econômicas, por um lado; grupos populares, lutas contra a opressão e pela libertação, por outro. E para registrar tudo, o historiador.

E de tal modo é importante o papel dos historiadores que, por vezes, eles ajudam, também, a reconfigurar a história de um País. Ao lado da Filosofia e da Literatura, a História está presente desde os primeiros momentos da nossa tradição ocidental, constituindo um dos saberes mais antigos de nossa civilização."

Meus parabéns a todos os colegas Historiadores!
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Postado por Prof. Adinalzir às Sexta-feira, Agosto 19, 2011

Fonte: saibahistoria.blogspot.com

V ENCONTRO DOS ACADÊMICOS INDÍGENAS DE MATO GROSSO DO SUL

“O INDÍGENA NO ENSINO SUPERIOR: FORMAÇÃO, APOIO E PROFISSIONALIZAÇÃO”

Comissão Organizadora:

Algemiro de Souza (Guarani/UEMS)
Ana Lúcia da Silva (Terena/UFMS)
Aparecido Lipú Mariano (Terena/UFMS)
Bruno Paiva Faustino (Terena/UFMS)
Carlos Ronaldo Miguel (Terena/UFMS)
Ellen Cristina de Almeida (Terena/UFGD)
Evanil Francisco Amorim (Terena/UEMS)
Evellin Tatiane da Silva Pereira (Terena/UFMS)
Guilherme dos Santos (Terena/UCDB)
Hélida Lipú Mariano (Terena/UFMS)
Marina Cândido(Terena/UFGD)
Jéssica Vargas Weller (Terena/UCDB)
Katiara de Ameida Militão Sampaio (Terena/UFMS)
Leocimar Farias (Kadiwéu/ UCDB)
Luiz Henrique Eloy Amado (Terena/UCDB)
Marcelo Ribeiro Coelho (Terena/UCDB)
Ronildo Jorge (Terena/UFGD)
Roselaine Miguel da Silva (Terena/UFGD)
Samuel Chamorro (Kaiwá/UEMS)
Sidnei Moraes Albuquerque (Terena/UCDB)
Tatiane Martins (Kaiwá/UEMS)

PROGRAMAÇÃO
MANHÃ
obs: sujeito a alteração

Data: 15 de agosto de 2011
Local: Anfiteatro da Biblioteca da UCDB
8:00 da manhã – Abertura

Apresentação Cultural: dança Terena organizadores: (Ronildo Jorge e Carlos Ronaldo) e Guarani( a definir)

9:00 – A presença Indígena na Universidade: apresentação do levantamento 2011.
Acadêmico Luiz Henrique Eloy Amado (Terena/UCDB)

9:15 – Acadêmicos Indígenas na UCDB: perspectivas para a comunidade
Acadêmico Sidnei Moraes Albuquerque (Terena/UCDB)

9:30 – Acadêmicos Indígenas na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
Acadêmica Tatiane Martins (Kaiwá/UEMS)

9:50 – Acadêmicos Indígenas na UFMS – campus Aquidauana
Acadêmicos Hélida Lipú Mariano e Carlos Ronaldo Miguel (Terena/UFMS)

10:10 – Os indígenas na Universidade Federal da Grande Dourados
Acadêmicos Ronildo Jorge (Terena/UFGD) e Roselaine Miguel da Silva (Terena/UFGD)

10:30 – Situação dos Acadêmicos Indígenas em outras Instituições
Espaço reservado à acadêmicos indígenas de outros Estados e instituições.

10:50 - Debates

11:15 - Intervalo para almoço

TARDE

13:30 – Grupos de Trabalhos

GT 1 – O acesso a Universidade
Relator: Ronildo Jorge (Terena/UFGD)

GT 2 – Os órgãos de apoio ao acadêmico indígena
Relatora: Tatiane Martins (Kaiwá/UEMS)

GT 3 – Profissionalização: acadêmico indígena após a conclusão do curso
Relator: Luiz Henrique Eloy Amado (Terena/UCDB)

16:30 – Encerramento: Elaboração do relatório final


COMPOSIÇÃO DOS GRUPOS DE TRABALHO

GT 1 – O acesso a Universidade

Relator: Ronildo Jorge (Terena/UFGD)
Ellen Cristina de Almeida (Terena/UFGD)
Samuel Chamorro (Kaiwá/UEMS)
Ana Lúcia da Silva (Terena/UFMS)
Guilherme dos Santos (Terena/UCDB)
Algemiro de Souza (Guarani/UEMS)
Jéssica Vargas Weller (Terena/UCDB)
Leocimar Farias (Kadiwéu/ UCDB)

GT 2 – Os órgãos de apoio ao acadêmico indígena
Relatora: Tatiane Martins (Kaiowá/UEMS)
Roselaine Miguel da Silva (Terena/UFGD)
Marcelo Ribeiro Coelho (Terena/UCDB)
Aparecido Lipú Mariano (Terena/UFMS)
Bruno Paiva Faustino (Terena/UFMS)
Evellin Tatiane da Silva Pereira (Terena/UFMS)
Katiara de Ameida Militão Sampaio (Terena/UFMS)

GT 3 – Profissionalização: acadêmico indígena após a conclusão do curso

Relator: Luiz Henrique Eloy Amado (Terena/UCDB)
Carlos Ronaldo Miguel (Terena/UFMS)
Hélida Lipú Mariano (Terena/UFMS)
Evanil Francisco Amorim (Terena/UEMS)
Marina Cândido (Terena/UFGD)
Sidnei Moraes Albuquerque (Terena/UCDB)

GRUPOS DE TRABALHO

GT 1 – O acesso a Universidade

Com o acesso as escolas de ensino médio emergentes nas aldeias de nosso Estado, que em sua maioria ainda estão em processo de construção, os jovens indígenas estão gradativamente entrando no espaço das universidades públicas e particulares. Com muito suor estes jovens concluem o ensino médio em aproximadamente três (03) anos, ou através do EJA (Educação de jovens e Adultos) onde o ensino acaba sendo muito rápido e se torna ineficaz, o indígena tenta posteriormente o acesso as universidades. Alguns com muito esforço conseguem o acesso através de cotas e/ou outro sistema oferecido pelas universidades, outros não tem o mesmo sucesso e acabam desistindo e/ou fazem um curso pré-vestibular se preparando para as provas oferecidas pelo Enem e vestibulares na ância de cursarem uma graduação na universidade, posteriormente a sua permanência na instituição é outra luta travada durante os anos que seguem dentro das instituições de ensino superior e que deve ser amplamente discutida e refletida.
Objetivos do GT’s: • Explanar porque o acesso é importante;
• Refletir com o que já conquistamos;
• O que fazer para avançar no acesso e permanência, quais os caminhos para
melhorar, e como fazer.


GT 2 – Os órgãos de apoio ao acadêmico indígena

O Grupo de Trabalho/GT02 tem por objetivo proporcionar espaço de diálogo entre instituições Governamentais e acadêmicos indígenas de nível superior objetivando
esclarecer e delimitar atribuições e responsabilidade dos órgãos diante dos altos índices de desistência que vem ocorrendo nas universidades.Um dos grandes desafios relacionados à evasão de acadêmicos indígenas no ensino superior esta diretamente ligada ao não apoio de instituições governamentais que direcionam ações aos povos indígenas. Diante desta realidade se faz necessário estabelecer diálogo entre acadêmicos e instituições visando delimitar e esclarecer atribuições, reforçando e valorizando a construção de uma política pública educacional para o ensino superior, fazendo o cumprimento da lei em toda a extensão em que a legislação prescreve as obrigações e deveres do Estado, conhecimento de seus órgãos e agentes públicos além de uma boa gestão das políticas e dos programas educacionais voltados aos indígenas.


GT 3 – Profissionalização: acadêmico indígena após a conclusão do curso

A presença indígena na universidade já é um fato constatado, e que a questão da
permanência já vem sendo pensada e trabalhada pelo programa Rede de Saberes. Diante
disso, mas uma vez estamos diante de uma situação nova, qual seja, que tipo de profissional indígena as universidades estão formando, ou ainda, será que esse profissional irá atender a demanda da comunidade. Assim, neste grupo de trabalho vamos provocar estas inquietações trazendo reflexões que demanda uma abordagem a respeito do conhecimento tradicional e o conhecimento científico. Da mesma forma, vamos procurar ouvir as lideranças indígenas presentes para maior dialogar com a nossa comunidade de origem.
Objetivos do GT: • Pensar que tipo de profissional indígena as Universidades estão
formando?
• Que tipo de profissional indígena as comunidades esperam da Universidade?
• Discutir como está se dando o pós conclusão de curso dos acadêmicos
indígenas.



Sendo a quinta edição, o encontro dos acadêmicos indígenas de Mato Grosso do Sul constitui o momento de reflexões e debates, onde os acadêmicos índios de diversas etnias e de diferentes instituições de ensino superior se reúnem para trazer a baila suas experiências, dificuldades e superações quando do ingresso na universidade. Tendo como tema atual “O indígena no ensino superior: formação, apoio e profissionalização”, o encontro desse ano tem como inovação tratar da temática da
profissionalização, ou seja, o acadêmico indígena pós-conclusão do curso, além de abordar também o acesso e permanência do indígena no ensino superior. O Estado de Mato Grosso do Sul é o segundo com maior número de população indígena do país, e provavelmente o que possui o maior número de indígenas cursando a faculdade. No âmbito da Universidade Estadual desde de 2004 já existe sistema de cotas para índios; e na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e Universidade Federal da
Grande Dourados já existem licenciaturas destinadas a professores indígenas e em relação a instituições privadas, como no caso da Universidade Católica Dom Bosco tem a concessão de bolsas parciais de estudo, com desconto na mensalidade. Veja-se, com todo esse aparato para o ingresso do índio na universidade, temos que nos preocupar com a permanência desses na universidade, levando-se em conta os aspectos econômico, cultural, social e educacional. Por outro, são muitos que já concluíram o curso e essa é a temática que inovará o encontro desse ano, qual seja, a profissionalização do indígena que acaba de sair da universidade com o seu diploma. Assim, queremos aproveitar esta oportunidade e debates estas questões, promovido pelos acadêmicos indígenas, apoiado pelo Programa Rede de Saberes: Permanência de indígenas no ensino superior