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Empresa dos EUA vende amostras de sangue de índios da Amazônia por US$ 85 na internet


Caso já foi até capa do jornal The New York Times. Apesar da repercussão, a Coriel Repositories mantém à venda por US$ 85 amostras de células e de DNA de índios Karitiana, Suruí e Ianomâmi
CHICO ARAÚJO
chicoaraujo@agenciaamazonia.com.br

BRASÍLIA – A empresa norte-americana Coriel Cell Repositories, sediada em Camden Nova Jersey, mantém à venda em seu site amostras de sangue de índios brasileiros. Por módicos US$ 85 (R$ 134,13) uma pessoa de qualquer lugar do planeta pode comprar, sem sair de casa, amostras de linhagens de células e de DNA do sangue das etnias Karitiana, Suruí e Ianomâmi. Se tiver disposta a gastar mais, a pessoa pode também encomendar amostras de sangue de índios do Peru, Equador, México, Venezuela e de diversos outros países. A ação configura crime por desrespeito aos direitos fundamentais dos índios.

A oferta do sangue ocorre há mais de uma década. No ano 2005 o caso veio à tona. À época, a CPI da Biopirataria – que estava a pleno vapor – pediu explicações à Fundação Nacional do Índio (Funai). Num passe de mágica, a Funai anunciou ter acionado a Polícia Federal (PF) e o Itamaraty para solicitar ao governo dos EUA a suspensão da oferta de sangue no site da Coriel. Mércio Pereira da Silva, então presidente da Funai, anunciou no dia 13 de abril de 2005, ao depor da CPI, que todas as medidas haviam sido adotadas no sentido de coibir o comércio do sangue.

Seis anos se passaram da promessa da Funai. Atenta aos assuntos de interesse nacional, a Agência Amazônia foi conferir se, de fato, a Coriel Repositories havia suspendido a oferta de sangue dos índios brasileiros. Um novo susto: como há quatro anos, o sangue dos índios do Brasil e de outros países ainda é oferecido a quem se dispuser pagar US$ 85 (R$ 134,13) por amostra de célula e de DNA encomendados. Para adquirir as amostras basta o comprador clicar aqui e seguir todos os passos indicados pela Coriel.

Assunto é capa do NY Times

No Brasil os jornais e as autoridades silenciaram sobre o assunto. O mesmo não aconteceu no exterior. Nos Estados Unidos, o jornal The New York Times destaca o assunto em primeira página, na edição do dia 20 de junho de 2007. Assinada por Larrry Rohter, correspondente do jornal no Brasil, destaca a polêmica envolvendo tribos indígenas da Amazônia e institutos de pesquisas estrangeiros que vendem sangue coletado dos nativos nos anos 70 e 90.

SANGUE07062011cLíderes das etnias Karitiana, Suruí e Ianomâmi, escutados na reportagem, dizem não ter recebido um só centavo pela venda de seu material genético, vendido a US$ 85 cada amostra por uma firma americana chamada Coriell Cell Repositories, uma entidade sem fins lucrativos baseada em Camden, Nova Jersey.

Segundo a reportagem, os índios estariam revoltados e que “na época que as amostras foram coletadas, tinham pouco ou nenhum entendimento do mundo exterior, muito menos de como funcionava a medicina Ocidental e a economia capitalista moderna”.

A reportagem mostra que o material, supostamente obtido sem o consentimento dos índios, foi coletado sem que as autoridades brasileiras soubessem que procedimentos científicos estavam sendo realizados nas tribos protegidos por lei federal. Clique no link a seguir para ler a reportagem In the Amazon, Giving Blood but Getting Nothing (Venda de sangue indígena no exterior ‘revolta tribos na Amazônia’).

O assunto saiu na primeira página e em duas páginas internas da seção Américas do jornal mais influente do mundo. Outros veículos internacionais, entre os quais a BBC Brasil também deram destaque ao assunto. De acordo com a agencia de notícia inglesa, a venda de sangue de índios revoltou as tribos brasileiras. A BBC faz, na verdade, uma pequena tradução da reportagem do The New York Times. Apesar da repercussão lá fora, pouco se fez para apurar o caso.

Até agora a medida de maior impacto partiu do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). Ao analisar os autos do processo 2002.41.00.004037-0, o TRF, determinou o retorno imediato à Justiça Federal em Rondônia. A ação foi impetrada pelo Ministério Público Federal (MPF) naquele Estado e pede R$ 500 mil de indenização de pesquisadores pela coleta ilegal de sangue de índios da etnia Karitiana. A continuidade do processo foi decidida por unanimidade pela 5ª Turma do TRF.

A ação do MPF cobra dos pesquisadores indenização por danos morais porque eles teriam feito a coleta de sangue sem autorização expressa dos indígenas e da Fundação Nacional do Índio (Funai). Também pede o ressarcimento por possíveis prejuízos causados aos indígenas pela suposta destinação que deram ao material colhido (o sangue). Atualmente, o caso retornou ao TRF. No dia 1º último a Procuradoria Regional da República pediu vista do processo.
Sem qualquer burocracia

A oferta do sangue dos índios brasileiros é escancarada. Ao ingressar no site da Coriel Cell Repositories o internauta, se conhecer um pouco do idioma inglês, não enfrentará muita burocracia para encomendas as células e do DNA de sua preferência. Nas páginas internas da Coriel, a pessoa escolhe as amostras, preenche um formulário e justifica seu pedido. Um dos requisitos para adquirir o sangue é se passar por pesquisador da área médica.

Em seguida, o cliente autoriza a compra (no cartão de crédito ou débito) e, por fim, envia seus dados por fax ou e-mail para a empresa nos Estados Unidos. Supõe-se que o endereço seja para o envio das amostras, já que a Coriel promete em seu site entregar os componentes de sangue dos índios brasileiros e de demais países em qualquer lugar do planeta.

Compra feita resta ao adquirente do sangue apenas esperar a encomenda. A Coriel Repositories garante a entrega do produto. A empresa, no entanto, faz uma ressalva: só “distribui”, ou melhor, vende por R$ 85, as culturas de pilhas e as amostras do DNA “à profissionais qualificadas que são associadas com as organizações de pesquisas médicas, educacionais, ou industriais”.

SANGUE07062011dEmpresa possui 1 milhão de amostras

A Coriel Repositories anuncia que possui quase 1 milhão de recipientes com sangue em seus bancos. De 1964 para cá, a empresa já comercializou 120 mil amostras de células e outras 100 mil de DNA de sangue. Esse volume de material foi espalhado a cientistas de quase 60 países. O laboratório exige do comprador apenas uma descrição de como o produto vai ser usado e um termo de garantia com detalhes dos termos e das condições de venda. Feito isso, as linhagens celulares e as amostras de DNA Karitiana são enviadas a quem as comprou.

As primeiras denúncias de coleta e venda de amostras de sangue dos índios de Rondônia surgiram em 1996. Um ano depois, a Câmara criou uma comissão externa para investigar esse e outros casos de biopirataria na Amazônia. Na época, constatou-se que era possível adquirir amostras de sangue pela internet de crianças, adolescentes, mulheres, homens e velhos das duas tribos brasileiras.

Dez anos depois, o sangue continua à venda no site da Coriell Cell. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar o caso. Até agora, no então, não prendeu nenhum dos suspeitos de envolvimento no caso.

Fonte:ariquemesonline.com.br

Operação ‘varre’ tráfico nas aldeias. Veja o resultado divulgado pela PF


Polícia Federal de Brasília, em conjunto com a Força Nacional, desencadearam a Operação Tekoha (lugar físico) na Reserva Indígena de Dourados. Ao todo foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão, que resultaram na prisão de três indígenas acusados de tráfico de drogas.

Durante as vistorias, a PF apreendeu drogas, arma, cigarros, bebidas, CDs, DVDs piratas, eletrônicos, veículos, cartões benefícios e várias carteiras de trabalho de indígenas que estavam sob posse dos acusados de tráfico.

De acordo com o delegado da Polícia Federal Antônio Carlos Moriel Sanches, chefe dos Serviços de Repressão aos Crimes contra Indígenas, as apreensões fazem parte da primeira etapa dos trabalhos de repressão ao tráfico nas aldeias de Dourados. Concluídos estes trabalhos, ontem mesmo a Polícia Federal montou base em frente a escola Tengatuí Marangatu. Além de contar com a implantação de uma base móvel no interior da Reserva, a comunidade indígena contará com a realização de policiamentos preventivos (ostensivos) e procedimentos investigatórios com vistas a tornar ininterrupto o combate ao tráfico de drogas.

Além da PF vão operar a Força Nacional, Polícia Militar e Civil de Dourados. O objetivo é desarticular o tráfico que se infiltrou na reserva. Para os trabalhos de busca e apreensão a Operação mobilizou 40 policiais, sendo 13 da Força Nacional e 27 da PF. Ao todo 12 equipes policiais foram distribuídas nas aldeias Jaguapirú e Bororó.

Segundo o delegado os trabalhos de investigações começaram no final do ano passado. Ele acredita que as três pesso-as presas ontem seriam os principais traficantes da aldeia. Ele afirma que na casa deles foram presos cocaína, maconha, pasta base e crack, mas não deu detalhes sobre quantidades. Ele confirmou que nas aldeias de Dourados o tráfico aconte-ce através do trabalho “formiguinha”, ou seja a droga chega através de grupos que trazem o entorpecente em pequenas quantidades.

RESULTADO

Em um dos locais, a equipe de Policiais Federais e da Força Nacional apreendeu um tablete de cocaína e dois papelotes, os quais totalizaram 180,57 gramas, prendendo em flagrante o indígena G.R.B, de 25 anos, morador na aldeia Jagua-pirú, Reserva Indígena de Dourados;

Em outro alvo, os policiais apreenderam uma porção de maconha, totalizando 34,36 gramas, tendo sido preso em flagrante o indígena O. R.,43 anos, residente na Aldeia Bororó.

Já em outro local os policiais apreenderam um total de 47 papelotes de cocaína, que pesaram um total de 21,1 gramas; 01 revólver Taurus, calibre 38, com 06 munições; 01 cédula de R$ 50,00, aparentemente falsa; 02 cadernos de anotações; 02 pen drives; 01 veículo VW gol CLI, placas HRD-9561 E 01 motocicleta, placas HSE-2230, prendendo em flagrante o morador/proprietário do imóvel, o indígena A.R., 40 anos, residente na Aldeia Jaguapiru, em Dourados.

Num quarto alvo, foram localizados 06 “bitucas” de cigarros, e 4 trouxinhas de cocaína, tendo sido lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência em desfavor de J.M.S., 33 anos, residente na aldeia Jaguapiru, nesta cidade, por infração ao artigo 28 da Lei nº 11.343/2006 (uso.

ESQUEMA

Conforme vem denunciando o O PROGRESSO e site Douradosagora, ao todo a Reserva indígena conta atualmente com 40 pontos de venda de drogas. A droga chega através da entrega dos revendedores ou da busca via bicicleta que indígenas fazem. Um grupo chegaria de Ponta Porã e em determinado ponto da BR ou de estradas vicinais entrega a dro-ga para outro grupo. O crack ou a cocaína pura chegam na reserva em pequenas quantidades. São distribuídas e vendidas aos usuários.

O dinheiro fácil, com venda rentável e sem fiscalização, virou uma forma de “fazer a vida” na aldeia. Segundo lide-ranças, até mesmo as crianças são usadas pelos traficantes. “Elas pegam a droga em pontos escondidos na reserva com sinalização em fita vermelha e já sabem para quem entregar”, comentou uma liderança, observando que alguns dos trafi-cantes nem índios seriam, e sim refugiados vindos do Paraguai, especialmente para manter o comércio. Outros, abaste-cem a reserva com carros adulterados e com placas frias; veículos que são objeto do crime, vendidos com a finalidade de facilitar o transporte do tráfico dentro da Reserva.

Os traficantes instalados na reserva tomam tudo o que os viciados têm. Segundolideranças indígenas, mais de 18 casas populares destinadas a famílias indígenas carentes já estariam na posse de dois principais traficantes da aldeia. “Eles expulsam o viciado da casa e alugam para outro”, explicou, observando que para manter o vício, até mesmo a cesta bási-ca é moeda de troca por drogas. “Quando não resta mais nada para trocar os índios começam a roubar, e matar por causa da droga”, diz.

Fonte:douradosagora.com.br/

Ônibus com estudantes Terena é atacado em Mato Grosso do Sul

Por CIMI 05/06/2011 às 12:41

Lideranças do povo Terena da Terra Indígena ?Cachoeirinha?, município de Miranda (MS), denunciaram que ontem, dia 3 de junho, por volta das 23h30, o ônibus escolar utilizado no transporte dos alunos que estudam na rede escolar no município de Miranda sofreu um ataque com pedras e tentativa de incêndio, no retorno à aldeia. Segundo os indígenas, o ataque ocorreu logo depois que o ônibus entrou na área indígena – 300 metros depois da rodovia.

Com cerca de 30 alunos, o veículo, num primeiro momento, foi cercado e pedras foram atiradas, estourando os seus vidros. Em seguida, objetos pegando fogo foram atirados contra o ônibus numa tentativa de incendiá-lo.

O motorista, na tentativa de se salvar, conforme relatos de lideranças indígenas, abandonou o veículo ainda em movimento, enquanto os alunos tentavam sair pelas janelas quebradas. Quatro alunos sofreram queimaduras, sendo que um deles foi levado para Campo Grande e está internado na Santa Casa.

A Polícia de Miranda esteve no local e autorizou a remoção do veículo sem realizar nenhum tipo de perícia, de acordo com o testemunho dos indígenas. Nesta manhã, lideranças da aldeia estiveram no distrito policial, em Miranda, para exigir investigações. Denunciam que a negligência policial é uma tentativa de criminalizar integrantes do povo ao sugerir como causas do atentado conflito interno da área.

Objetos foram recolhidos pelas lideranças, deixados pelos agressores, como prova do material usado pelso agressores. Há alguns dias, os alunos perceberam que uma moto, com dois ocupantes, rondava o ônibus no trajeto até a aldeia.

Ameaças

O povo Terena de Cachoeirinha possui várias de suas lideranças ameaçadas de morte devido a luta travada pela desintrusão de fazendeiros de suas terras tradicionais – já identificadas e declaradas pelo Governo Federal.

É o caso de parte da fazenda Petrópolis, onde incide o ex-governador de Mato Grosso, Pedro Pedrossian, e da fazenda ?Charqueada?, que recentemente teve parte de sua área retomada pelo povo Terena. Outras fazendas também incidem sobre a terra indígena. Em abril passado, por conta das ameaças, a comunidade recebeu a visita da equipe técnica federal do Programa de Proteção de Defensores dos Direitos Humanos (PPDDH), da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.

Na ocasião, diversas denúncias foram feitas, sendo inclusive recomendada a inclusão de lideranças Terena no programa de proteção.

URL:: http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=5600&eid=320