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Egresso indígena da UEMS é aprovado em mestrado na UnB

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul comemora o ingresso de mais um ex-aluno em um programa de mestrado. O caso da vez, porém, é especial: Rosaldo Albuquerque Souza é o primeiro indígena da etnia Kinikinau, de Porto Murtinho, a conseguir a façanha. Além disso, tem histórico de superação no ensino superior. Foi classificado no vestibular da UEMS em 1º lugar, por meio das cotas indígenas, e conseguiu concluir a Universidade devido ao apoio do Programa Rede de Saberes e por ter uma bolsa do Programa Vale Universidade Indígena daSETAS. Sobre o período em que cursou a Universidade, Souza se lembra do quanto trabalhou como servente de pedreiro na construção do shopping de Dourados, em 2006. Formado em ciências biológicas, tornou-se professor da escola REME de Dourados.

Vivendo atualmente na capital do País, o indígena já iniciou as atividades no Mestrado profissional em sustentabilidade perante povos e terras indígenas da Universidade de Brasília (UnB). Ele, que pretende estudar as formas de coletas tradicionais e a atual da produção de mel na comunidade Kinikinau, espera beneficiar sua comunidade com a revitalização de uma associação de apicultores indígenas com a finalidade de gerar renda e alimento para a escola local, em primeiro lugar. “Espero também adquirir muito mais conhecimento para trabalhar e lutar pelas causas indígenas do nosso país, onde o indígena é visto com muita discriminação”, aponta.

No Programa de mestrado estão atualmente 14 indígenas, das 26 vagas, das etnias xavante, kinikinau, Guarani, Apurinã, Suruí, Carajá e Taukane. A vida na capital do País tem sido um desafio. Enquanto aguarda a confirmação das bolsas, está na casa de um professor da UnB, que o está ajudando. “Um dos fatos que mais me agradou foi a forma em que os indígenas foram recebidos na UnB. Todos os professores e colegas não indígenas se sentiram sensibilizados com as nossas dificuldades e resolveram nos ajudar”, destacou Rosaldo Souza.

Desde o início do sistema de cotas na UEMS, já se formaram 52 indígenas, destes, dois estão como alunos especiais em mestrado e mais o Rosaldo que foi aprovado em Programa de mestrado. Segundo a pró-reitora de extensão, cultura e assuntos comunitários, profa. Beatriz dos Santos Landa, que os acompanha desde 2005 pelo Programa Rede de Saberes, “cada vitória obtida de inserção no mundo do trabalho como professores ou profissionais liberais é motivo de comemoração, pois há muita luta, superação e determinação para conclusão dos estudos”. A professora reconhece também o fato de que a universidade e a sociedade avançaram muito no reconhecimento dos direitos indígenas, mas que ainda há muito a ser feito.

No caso do Rosaldo, ele foi primeiro Kinikinau de sua aldeia a buscar e concluir o ensino superior, apesar de todas as dificuldades encontradas. Segundo ele, atualmente mais cinco Kinikinau ingressaram no ensino superior, no curso Povos do Pantanal, da UFMS. Aos poucos os indígenas vão descobrindo novas posições sociais e novas formas de transformarem positivamente suas comunidades. A UEMS aposta nisso.

Assessoria de Imprensa / UEMS

Um comentário:

Clara Meneses disse...

Isso mostra a evolução que tivemos em relação a preconceitos sem fundamentos por uma,infelismente,parte da sociedade. Fico feliz com esse egresso,pois vocês foram e são importantissimos para a formação do nosso País.