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PORTA-VOZ DIZ QUE MAPUCHES TÊM DIREITO A 'JULGAMENTO JUSTO'

SANTIAGO DO CHILE, 30 SET (ANSA) - A porta-voz dos índios mapuches detidos e que mantêm uma greve de fome na prisão de Temuco afirmou que o mais importante "é o direito a um julgamento justo" e insistiu que "isso só vai ser obtido uma vez que a Lei Antiterrorista for retirada" dos processos enfrentados por eles.

"Os crimes atribuídos a eles em nível internacional não são atos terroristas, pois não há feitos sangrentos e muito menos terror público", disse María Tracal a uma rádio local.

Os presos estão em greve de fome, alguns há 81 dias, porque exigem a não aplicação de uma medida criada na ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) e utilizada para condená-los. Para eles, a norma não cabe no caso porque suas reivindicações -- que envolvem o incêndio de uma empresa florestal -- são políticas e não terroristas.

"Quando a Lei Antiterrorista for retirada, muitos presos vão ser postos em liberdade porque nesta situação há uma perseguição que vai além dos atos que lhes são atribuídos, há uma perseguição contra as ideias de um povo que quer continuar existindo", assinalou a porta-voz.

Tracal acusou o governo de falta de vontade política para solucionar o protesto e recordou que a primeira reunião ocorreu apenas depois de 67 dias de greve de fome. Além disso, afirmou que "a desproporção de violência não vem de nós. Os mortos são nossos irmãos e não há nenhuma morte civil ou policial".

Ela também criticou a possibilidade de alimentar os grevistas à força porque "através da Convenção de Malta, é assegurado o direito das pessoas a determinar se querem se alimentar ou não".

Ainda hoje, intelectuais e artistas do México manifestaram sua preocupação pelo conflito. Os membros do Comitê de Apoio aos Presos Políticos Mapuches - México entregaram na Embaixada chilena uma carta dirigida a Sebastián Piñera na qual condenam "os ataques que o governo faz aos indígenas, em busca do desmembramento cultural desta etnia".

A missiva, assinada entre outros pelo poeta mexicano José Emilio Pacheco, o escritor Paco Taibo II, o jornalista uruguaio Raúl Zibechi e o desenhista Eduardo del Río, foi apresentada durante um protesto em frente à sede diplomática na capital mexicana. (ANSA)

Fonte:ansa.it.com

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