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Lideranças indígenas discutem sobre a implantação do território etnoeducacional Araguaia



Os lideres indígenas das etnias que vivem na região Araguaia estiveram reunidos em São Félix do Araguaia, para discutir o Decreto nº 6.861, de 27 de maio de 2009 que cria os territórios etnoeducacionais. A reunião foi organizada pelo Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), junto com os governos estaduais e municipais. Durante o encontro foi discutido com os representantes indígenas sobre o futuro da educação indígena. A reunião aconteceu entre os dias 29 e 30 de setembro e contou com mais de mais de 50 representantes indígenas dos povos Tapirapé, Karajá da Ilha, Karajá de Mato Grosso, Javaé, Karajás/Xambioás, Krenak, Tapuia e Kanela.

Durante o Seminário o coordenador Geral de Educação Escolar Indígena, SECAD, Gersen Luciano Baniwa, explicou sobre os objetivos do Decreto e as mudanças que a divisão vai trazer para as comunidades. “Essa política propõe construir um novo modelo de planejamento e gestão da educação escolar indígena, que tenha como principal referência o respeito às especificidades de cada povo, por exemplo, a língua, a forma política, a divisão geográfica e forma de organização, já que essas divisões são diferentes dos modelos administrativos dos municípios onde as escolas indígenas estão instaladas”, argumentou.

Gersen também pontuou que o encontro como uma oportunidade de diálogo com as lideranças e enfatizou a necessidade de discutir a proposta. “Este é o primeiro momento, cada líder deve levar para sua comunidade o que foi discutido aqui”.

Durante o encontro os líderes expuseram suas insatisfações com a forma atual de administração escolar nas comunidades e a falta de conhecimento sobre os recursos repassados para a educação indígena. A política do território pretende identificar quais são as debilidades e os empecilhos que a educação indígena enfrenta em cada e povo e tem como desafio fazer funcionar a política de educação indígena, considerando suas especificidades, garantindo assim os direitos que estão previstos na Constituição Federal. Pois muitos povos ainda sofrem com a prática da falta de repasse das prefeituras paras as escolas e muitas vezes ficam fora do processo do planejamento do recurso e dos direcionamentos e planejamento escolar.

O líder indígena, Reginaldo Tapirapé conta que entre seu povo, a educação vem melhorando. “Com muita luta conseguimos criar um conselho para poder administrar o recurso da educação, somos nós que decidimos sobre tudo que acontece nas nossas escolas”, revelou. Reginaldo também pediu uma visita de Gersen a sua Aldeia para poder discutir com a comunidade sobre o Território.

Sobre o Território

Após muitos anos de lutas e reivindicações dos povos indígenas o governo federal entendeu que a organização da educação escolar indígena vigente no país não responde, em muitos aspectos, às especificidades políticas, sociais e econômicas vividas por esses povos. E os territórios etnoeducacionais servem como alternativa para se pensar em um sistema próprio que seja mais próximo da realidade dos povos indígenas.

Segundo Gersen, o plano de ação do território traz como prioridade o cumprimento dos seguintes objetivos: construção e reformas de escolas, formação e contratação de professores indigenas, produção de material didático bilíngüe, ensino médio integrado à educação profissional e alimentação escolar. Ele afirmou que o processo vai contar com a colaboração entre o MEC, o estado, os municípios e universidades.

Fonte:aguaboanews.com.br

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