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Sob escolta da PF, Funai retoma estudos de novas áreas

Por: Edivaldo Bitencourt


Quinze meses após polêmica e pressão dos produtores rurais, a Funai (Fundação Nacional do Índio) retomou, sob escolta da Polícia Federal, os trabalhos para identificar novas áreas indígenas na região sul de Mato Grosso do Sul. Três grupos de trabalho começaram a trabalhar há oito dias, segundo a administradora regional do órgão em Dourados, Margarida Nicoletti.

Os grupos estão realizando estudos antropológicos para identificar as novas áreas indígenas em 26 municípios da região sul. O último foi instituído pela Portaria 1.415/2009, da Funai, constituindo o grupo de trabalho para realizar o estudo nos municípios de Caarapó, Dourados, Fátima do Sul, Juti, Vicentina, Naviraí, Amambai e Laguna Caarapã.

O objetivo é ampliar a reserva dos índios da etnia Guarani Caiwá, que conta com uma população de aproximadamente 40 mil pessoas. Estima-se que as novas áreas poderão somar de 600 mil a 3 milhões de hectares.

Para barrar o estudo, em agosto do ano passado, os produtores rurais e o Governo do Estado chegaram a divulgar que a Funai pretendia transformar toda a região, em torno de 12 milhões de hectares, em área indígena.

Polêmicas – A criação de 39 novas áreas indígenas, prevista no TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado pela Funai e o MPF (Ministério Público Federal), vem causando polêmica no Estado e é alvo de várias ações judiciais. A Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) e sindicatos rurais ingressaram com ações na Justiça Federal da Capital e do interior.

O governador André Puccinelli (PMDB), deputados estaduais e federais e representantes dos produtores participaram de reuniões para pedir o adiamento dos estudos com o ministro da Justiça, Tarso Genro, o presidente da Funai, Márcio Meira, e representantes da Presidência da República.

Os sindicatos rurais promoveram abaixo-assinados contra as portarias, que instituíram grupos de trabalho para realizar os estudos nas cinco microbacias hidrográficas dos rios Amambai, Apa, Rio Brilhante, Dourados e Iguatemi.

Ameaças – Sob pressão, os grupos voltaram a realizar os estudos neste mês, mas sob escolta de policiais federais de Campo Grande e de Dourados, segundo a Funai de Dourados. No entanto, segundo Margarida Nicoletti, as equipes não vão entrar nas propriedades rurais nesta fase.

Por causa da disputa fundiária na região, índios e produtores rurais já entraram em confronto em Paranhos, Coronel Sapucaia e Japorã. Em Paranhos, há cerca de 40 dias, está desaparecido um professor após o confronto entre indígenas e homens numa fazenda. O outro professor, Genivaldo Vera, foi encontrado morto num rio próximo do local do conflito.

fonte: campogrande.news.com.br

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