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Índios querem que governo pague produtores por terras

Os indígenas do Conesul do Mato Grosso do Sul são favoráveis ao pagamento de indenizações aos fazendeiros que compraram terras indígenas de “boa fé”, ou seja, para aqueles que quando compararam não sabiam que aquelas terras pertenciam à comunidades indígenas.
Esse foi apenas um dos 11 pontos defendidos durante a “Aty Guassu”, ou “Grande Reunião”, que reuniu aproximadamente 400 indígenas em Juti no último final de semana (Leia aqui os demais pontos).


Segundo o documento, com assinatura de lideranças indígenas da porção sul do Estado, é imperativo que “o Governo Federal disponibilize, o mais rápido possível, os recursos necessários para garantir a conclusão das demarcações, priorizando as terras cujos procedimentos já foram iniciados antes da assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta - TAC (...) inclusive buscando, juntamente com o Governo do estado de Mato Grosso do Sul, a solução jurídica adequada para o pagamento de eventuais indenizações dos ocupantes não-indígenas de boa-fé, mas somente os que respeitam a Legislação Ambiental Brasileira quanto às áreas de mata que devem ser obrigatoriamente preservadas nas fazendas e os que respeitaram a preservação dos recursos hídricos da região”, afirmam as lideranças.


De acordo com eles, deve haver prioridade para os estudos nas terras Yvy Katu, Ñande Rú Marangatú, Potrero Guassu, Sombrerito, Guyraroká, Takuara, entre outras, que já estavam sendo estudadas antes que o Termo de Ajustamento de Conduta fosse assinado.


A devolução das terras seria importante para melhorar a vida da população que hoje, segundo eles, vivem às margens de terras onde “a monocultura desenfreada da soja, da cana e do gado, financiados por dinheiro público, tomam o espaço da agricultura familiar indígena e camponesa, levando milhares de indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais sem-terra ao desespero, por não terem nenhuma perspectiva de vida digna para produzirem seus alimentos e garantirem a sobrevivência das futuras gerações, (...) destruindo o pouco que restou dos recursos naturais de nossa região”.


“Cara fechada com André”
“Repudiamos a postura do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul que ao invés de buscar uma solução para a demarcação de nossas terras, conforme a orientação feita pelo Ministério Público Federal, vem empreendendo todos os esforços para que sejam cancelados os trabalhos de identificação de nossos tekohá, pregando mentiras que somente aumentam o racismo e a intolerância contra o nosso povo”, argumentam os indígenas contra o governo do Estado.
Segundo eles, “o Governo Estadual deve entender que tentar barrar aquilo que jamais desistiremos, somente criará mais conflitos! O povo indígena de Mato Grosso do Sul quer a paz e nunca a violência! Demarcar as terras de nosso povo não afetará a economia do estado e o que queremos é muito pouco perto de todo mal que estamos sofrendo e de tudo o que nos tiraram! Soluções existem para a demarcação, o que falta é a vontade política e o respeito às nossas reivindicações e direitos”, escrevem as lideranças para o Governo do Estado.


Desinformação
Logo quando os estudos foram anunciados no Estado, chegou a circular pela Internet e até em alguns sites de notícias, que as demarcações “engoliriam” grandes áreas de 26 municípios do Estado e que iria se criar no Mato Grosso do Sul uma “República Guarani”, em alusão à etnia dos indígenas.


Políticos ruralistas chegaram a dizer que iria se criar um Estado dentro do Estado, porém, segundo os indígenas as demarcações, se constatadas e realizadas em certas áreas, não equivaleria à 1% da área total do Mato Grosso do Sul, ainda que somadas umas às outras.
Seria nesse espaço que seriam colocadas aproximadamente 35 mil pessoas, número aproximado de indígenas Guarani e Kaiowá no Estado. (Com informações do site Dourados News).

Fonte: Redação Capital News (AP) (www.capitalnews.com.br)

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