Seja bem-vindo! Hoje é

Partido indígena brasileiro

O diretor do Memorial dos Povos Indígenas, Marcos Terena, disse à Radio ONU que os índios brasileiros poderão formar um partido político antes de 2012. A proposta deve ser avaliada, nos próximos meses, com o objetivo de acelerar o processo de conquistas para os índios brasileiros.

Marcos Terena participou, em Nova York, do Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas. Para ele, o novo partido precisa nascer diferente e sem os vícios antigos de outros grupos políticos. "No caso brasileiro, o Partido Indígena, provavelmente, terá como missão não se tornar sujeito à corrupção".

O coordenador do Projeto "Índios na Cidade", Marcos Aguiar, disse, por sua vez, que está tentando convencer várias etnias em São Paulo a lançar candidatos já para as eleições de 2010. (Agência Envolverde)

Fonte:www.abril.com.br

Em Brasília, ninguém é culpado pela morte de crianças por desnutrição


Índios de Mato Grosso do Sul se matam por amor e paixão, analisa antropólogo

PORTAL MS

Para o Cimi, mortes ocorrem, entre outras causas, devido a conflitos entre os indígenas pressionados pelo avanço do agronegócio

Brasília - No ano passado, 94 índios tiveram morte violenta. Segundo levantamento feito pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), foram 60 assassinatos e 34 suicídios. As mortes estão concentradas entre os Guarani Kaiowá, em Mato Grosso do Sul, onde ocorreram 42 assassinatos e todos os casos de suicídio.

Para o Cimi, as mortes ocorrem, entre outras causas, devido a conflitos entre os indígenas pressionados pelo avanço do agronegócio sobre as terras que ocupavam. A concentração de índios em reservas, demarcadas ainda no tempo da República Velha, força o convívio entre famílias inimigas e potencializa as tensões. Essa não é, no entanto, a única razão para as mortes.

Além dos males fundiários, enfrentados por diversos indígenas em todo o território nacional, há outras razões mais universais afligindoos índios que vivem no cone sul de MS.

O sentimento de paixão, o amor proibido e o conflito de gerações afetam tragicamente os Guarani Kaiowá, explica o antropólogo Fábio Mura, que desde 1991 estuda a etnia e é doutor em antropologia social pelo Museu Nacional no Rio de Janeiro e professor pela Universidade Federal da Paraíba. Leia,a seguir, os principais trechos da entrevista realizada com o pesquisador.

Agência Brasil - O que acontece em Mato Grosso do Sul é resultado do processo civilizatório nas áreas de fronteira agrícola?

Fábio Mura - Sim, sem dúvida. Ilustra claramente que existe um movimento por parte do Estado brasileiro de ocupação de espaços dentro do território nacional com objetivo de desenvolvimento, seguindo um determinado tipo de lógica que impacta a organização social e territorial dos indígenas.

ABr - Segundo relatório do Conselho Indigenista Missionário, a região concentra a maior parte dos casos de assassinatos e todos os episódios de suicídio entre os índios. Por que isso acontece lá?

Mura - Os Guarani têm uma especificidade em relação a outros grupos indígenas até mesmo da região se comparados, por exemplo, com os Terena. É complicado lidar com situação de redução territorial extrema. Até a metade da década de 60, os índios ainda tinham espaço de ocupação próprio, que não era compartilhado com os brancos. Esse tipo de ocupação mantinha as famílias indígenas, que são famílias extensas, de até quatro gerações, e que constituem comunidades políticas locais de até 200 pessoas. Naquela época, quando havia tensão interna dentro desses grupos, ocorria uma cisão e os índios podiam se distanciar uns dos outros e constituir uma comunidade em outro lugar.

ABr - O que ocorre agora?

Mura - A partir da segunda metade da década de 60, em decorrência do milagre brasileiro, da implementação da agricultura mecanizada, toda essa região foi profundamente atingida do ponto de vista ecológico. O que era 50% a 60% de cobertura vegetal foi quase que totalmente destruído. Hoje, temos aproximadamente 7% de média no cone sul [do MS] de vegetação nativa.

ABr - Mas, antes disso, não houve demarcação de reserva?

Mura - Os índios foram sistematicamente expulsos dos seus lugares e levados para oito reservas instituídas desde o Serviço de Proteção aos Índios [SPI, criado em 1910], entre 1915 e 1928. Essas reservas nunca foram entendidas pelos índios como espaço exclusivo deles. Algumas famílias permaneciam, mas muitas transitavam nas florestas. Quando essas florestas foram destruídas, as famílias - mesmo que fossem inimigas das que estavam dentro das reservas - foram levadas à força. Criou-se uma situação de tensão permanente e o inchaço das reservas. Os dados da década de 70 mostram que as populações das reservas triplicaram. No caso da Reserva de Dourados, cresceu 4 ou 5 vezes.

ABr - Na década de 80, o desfecho é o avanço do agronegócio?

Fábio Mura - Na década de 80, o que temos é uma situação de mudança não só no agronegócio, mas também do próprio comportamento indígena. Os índios, não tendo mais espaço para reproduzir seus grupos locais fora das reservas, começam a reivindicar terras e a reocupá-las sistematicamente. Isso leva a um conflito fundiário, que estamos assistindo até hoje. Além do conflito fundiário, há a presença cada vez maior do Estado dentro da reserva, especialmente pela promoção da escolarização. Com a entrada da Funasa [Fundação Nacional de Saúde] no atendimento à saúde indígena também se cria uma capilaridade de intervenção que vem condicionando muito a vida desses indígenas - favorecendo a assistência por um lado, mas controlando-os em relação ao que são os costumes, criando um estresse constante entre o conceito ocidental [não indígena] de vida e o ponto de vista dos indígenas sobre esses fatores, como por exemplo, tratar as crianças e se relacionar no meio familiar.

ABr - Qual seria a densidade ideal de ocupação dos indígenas?

Mura - O espaço utilizado pelos Guarani Kaiowá nunca foi uma coisa fixa e imutável. Mudava conforme o jogo de alianças [entre os índios e entre as famílias]. No passado, todo o espaço do cone sul era utilizado. No momento em que o Estado intervém, esse espaço torna-se inclusivo, isto é: um lugar que os indígenas têm que compartilhar com os brancos em uma situação assimétrica [desigual], em que o branco domina. As reivindicações de mais espaço se dão conforme a memória de origem da liderança de cada família e dizem respeito a momentos diferentes de ocupação dessas terras.

ABr - Como essa falta de espaço vai implicar suicídio?

Mura - O espaço territorial é fundamental para manter equilíbrio entre as famílias, para que não aumentem as tensões. Nos espaços codivididos, os jovens indígenas travam relações com membros de outras famílias consideradas rivais. Isso estressa e cria um conflito intergeracional. Nesse sentido, se tivesse mais distância haveria mais controle por parte das famílias, impedindo que esse tipo de relacionamento indesejado viesse a ocorrer. Os índios não gostam que membros de famílias inimigas se socializem juntos aos seus e nem que se criem situações autônomas de socialização.

ABr - Como assim?

Mura - Uma comunidade política local, com todos aliados entre si, se determina pelas relações de parentesco. Os índios não se juntam por amizade ou por ofício, eles se juntam por meio de alianças estabelecidas por meio de casamentos. Os casamentos até 50 anos atrás eram determinados pela vontade dos pais e, principalmente, dos avós, entre famílias aliadas ou que iam se aliar - e para isso faziam um intercâmbio matrimonial. Quando um jovem tem mais oportunidade de escolha, podem ocorrer situações em que não queira se casar com um membro aliado, mas como alguém de uma família rival.

ABr - A presença do não índio interfere?

Mura - Outro fator de estresse é a presença do branco em espaços neutros de socialização. Para os índios, não existe espaço neutro de socialização. Ou você está socializando dentro de um contexto de aliados políticos, ou você está fora dele. Com a entrada da escola nas terras indígenas cria-se uma situação em que os jovens são retirados do contexto familiar e do contexto político local para serem inseridos no espaço escolar, onde convivem indivíduos de famílias inimigas. Isso ampliou as possibilidades dos jovens de saírem do contexto social do grupo doméstico de origem.

ABr - E o suicídio?

Mura - Se nós observarmos as condições territoriais dos Terena no Mato Grosso do Sul, ou dos Guarani em outras partes do território brasileiro e até no Paraguai oriental, vamos perceber que o fenômeno do suicídio é muito reduzido, em alguns casos ausente. Por que então acontece? Não dá para dizer que seja efeito direto e simples da falta de espaço. Existe uma conjunção entre esses fatores estressantes para a organização social e fatores mais íntimos, que vêm da educação, da visão cosmológica dos Guarani Kaiowá, em que o indivíduo em sua formação psicológica é muito contido, fechado e suscetível às relações afetivas dentro do mundo doméstico.

ABr - O problema afeta então os mais jovens?

Mura - Os suicídios acontecem entre os jovens e cada vez vai reduzindo a faixa etária. Há registros de suicídio de uma menina com nove anos de idade. Os conflitos geracionais fazem com que o jovem queira fugir do controle social, que é esmagador dentro do contexto familiar. Eles querem sair, mas ao mesmo tempo são produto dessa família. Então, quando ocorre uma briga com a mãe ou com o pai, em situação pública especialmente, em que o jovem sinta-se ridicularizado ou maltratado, ele pode atingir um estado que chama nhemyrô.

ABr - O que é o nhemyrô?

Mura - É uma profunda mágoa, com o consequente fechamento do indivíduo, vivida em estado de perda da consciência e que leva essa pessoa a sentir-se chamada pelos espíritos de companheiros que se suicidaram ou estão mortos. Se um índio brigou com os pais porque queria namorar com uma pessoa não permitida, e essa se suicidou, é possível que na sequência aquele índio possa se suicidar porque se sinta chamado enquanto a alma daquela pessoa está em um patamar do céu, que ainda é muito próximo da terra. Os relatos das pessoas que tentaram se suicidar é que sentiram-se chamadas como Hércules, que ouvia o canto das sereias na Odisséia. Os índios sentem-se traídos porque estão nesse nhemyrô, um estado de muita angústia.

ABr - Desentendimento familiar e amor proibido são conflitos universais.

Mura - Há outro aspecto muito importante, também relacionado ao namoro e que não é uma mágoa ou conflito. Os índios falam do contágio com uma substância relacionada com o nascer ou por do sol, quando o horizonte fica amarelado. Eles chamam essa substância de araguajú e definem como paixão. Muitos jovens indígenas dizem que o homem branco sabe lidar com a paixão, mas eles não sabem. Todas essas situações são relatadas pelos índios como ataques de espíritos ou algo que tira os indivíduos de uma situação de normalidade. Os índios tentam curar as pessoas por meio das rezas, afastando de uma situação de contágio.

Antropólogo diz que Guarani se matam por desavenças internas, por amor e por frustrações

Um dos antropólogos que mais tem estudado a situação dos índios Guarani-Kaiowá e Ñandeva, do Mato Grosso do Sul, o ítalo-argentino Fábio Mura, deu uma entrevista recentemente na qual apresenta uma visão diferente sobre as causas de tantos assassinatos entre os Guarani e tantos suicídios.

Segundo Fábio Mura, não é só a proporcionalmente pequena quantidade de áreas de terras onde vivem os Guarani atualmente que provoca a situação calamitosa de mortes entre eles. Há elementos culturais próprios que os diferenciam. Os Terena, por exemplo, que também vivem em pequenos lotes de terras, ao contrário dos Guarani, não se matam entre si como os Guarani. Por sua vez, surpreendentemente, entre os Guarani do Paraguai, cujas terras são mínimas e sua população ainda maior, também não ocorre tanta tragédia humana.

Então, o que pode ser?

Fábio Mura dá, em primeiro lugar, uma explicação antropólogica baseado na teoria do parentesco. Diz que os Guarani se constituem em famílias extensas auto-suficientes. Quando há conflito dentro dessas famílias, ocorrem cisões e saídas das partes litigantes. Daí tornam-se "inimigas" e, para que a sociedade continue fluindo, é preciso que os "inimigos" vivam longe uns dos outros. Quando, por necessidade, passam a viver juntos, aí vivenciam uma grande tensão, o que resulta em frustrações mútuas, portanto, em brigas, enfim, em violência.

Para Mura, os Guarani não gostam de socializar com famílias inimigas. Ora, mas quem gosta? Ninguém, claro. Nenhum povo indígena. Mesmo assim, muitos convivem com inimizades potenciais porque têm instituições culturais mediadoras. Portanto, a pergunta que se impõe é por que os Guarani não criaram instituições de mediação cultural e social entre famílias inimigas.

Pergunta-se ainda, e no Paraguai, com os mesmíssimos Guarani, por que isso não se dá? O que têm os índios Guarani do Paraguai que os do Brasil não têm? Ou, o inverso.

Parece, portanto, que essa teoria não se coaduna com a realidade empírica e comparativa do mundo guarani. Há de haver outros fatores que levam á inimizade feroz entre famílias extensas no Brasil e a incapacidade putativa da cultura guarani em não conseguir criar instituições culturais de mediação.

Daí vem a segunda explicação, desta vez de cunho histórico: desde a década de 1960, as terras que os Guarani utilizavam de alguma forma, mesmo que formalmente só possuíssem oito (8) terras indígenas demarcadas, serviam de escape às brigas internas entre famílias. Até então, no Mato Grosso do Sul, havia um horizonte além das reservas indígenas onde existiam matas supostamente livres, onde as famílias se refugiavam das brigas internas e formavam novos "tekohá", novas terras para habitar. A partir do final dessa década, e intensificando-se cada vez mais, as terras "livres" passaram a ser tomadas por fazendeiros e os Guarani foram se confinando cada vez mais. Esta é a versão histórica de Fábio Mura.

Acontece, entretanto, que é a partir da década de 1970-80 que diversos grupos e lideranças guarani partem para a luta pela demarcação de novas terras e, realmente, novas terras guarani começam a ser reconhecidas e demarcadas pela Funai. De oito terras demarcadas na época do SPI, os Guarani passam a ter 28 terras demarcadas até agora, com mais umas quatro ou cinco em processos finais de demarcação. Portanto, a segunda teoria explicativa parece também sofrer de baixa comprovação histórica.

É claro que essa explicação é reforçada pelo fato de que, nessas últimas três décadas, houve um aumento populacional exponencial dos Guarani, particularmente em algumas terras indígenas, como Dourados e Amabai, que quadruplicaram suas populações. Assim, mesmo com novas terras, elas não são suficientes para se adequar à necessidade de famílias ficarem longe umas das outras.

A terceira teoria explicativa é a presença constante do branco, especialmente da estrutura do Estado (cita a Funasa, mas ignora a Funai) que impinge sobre a liberdade dos índios, criando novas regras e restrições ao seu comportamento cultural. A escola seria também uma instituição restritiva. Aqui nada é dito sobre os diversos cultos religiosos existentes nas terras Guarani, em especial de evangélicos, mas também de católicos e umbandistas. Nem tampouco as Ongs, os políticos, as prefeituras, todas impondo discursos novas e exigindo novos comportamentos dos Guarani.

A quarta teoria explicativa é propriamente cultural. Segundo Mura, a cultura guarani é muito introspectiva e os indivíduos se abatem magoadas e ridicularizados por atos minimamente inadequados ao comportamento padrão que essa cultura espera deles. Este sentimento de inadequação é piorado especialmente em virtude da imposição da cultura exógena, brasileira, que requer outro tipo de comportamento, ao qual os mais jovens buscam emular. A inadequação que um jovem sente leva a um sentimento radical de mágoa, tristeza profunda e angústia, chamado nhemyrô. Daí para o suicídio entre os jovens é um passo simples. Segundo Mura, os Guarani se sentem atraídos para o suicídio como se estivessem sendo chamados por aqueles que já morreram. Nas palavras de Mura, "Os relatos das pessoas que tentaram se suicidar é que sentiram-se chamadas como Hércules (sic), que ouvia o canto das sereias na Odisséia". (Hércules?! Não seria o Ulisses?)

Enfim, na entrevista abaixo, o antropólogo Fábio Mura abre o verbo e corajosamente diz coisas que o público antropológico em geral não tem ouvido sobre a questão guarani. São explicações mais sofisticadas do que aquelas dadas pelo CIMI e outros antropólogos, mas ainda assim, carecem de mais embasamento empírico, de mais profundidade histórica e de mais clareza.

Índios de Mato Grosso do Sul se matam por amor e paixão, analisa antropólogo

Um dos antropólogos que mais tem estudado a situação dos índios Guarani-Kaiowá e Ñandeva, do Mato Grosso do Sul, o ítalo-argentino Fábio Mura, deu uma entrevista recentemente na qual apresenta uma visão diferente sobre as causas de tantos assassinatos entre os Guarani e tantos suicídios.

Segundo Fábio Mura, não é só a proporcionalmente pequena quantidade de áreas de terras onde vivem os Guarani atualmente que provoca a situação calamitosa de mortes entre eles. Há elementos culturais próprios que os diferenciam. Os Terena, por exemplo, que também vivem em pequenos lotes de terras, ao contrário dos Guarani, não se matam entre si como os Guarani. Por sua vez, surpreendentemente, entre os Guarani do Paraguai, cujas terras são mínimas e sua população ainda maior, também não ocorre tanta tragédia humana.

Então, o que pode ser?

Fábio Mura dá, em primeiro lugar, uma explicação antropólogica baseado na teoria do parentesco. Diz que os Guarani se constituem em famílias extensas auto-suficientes. Quando há conflito dentro dessas famílias, ocorrem cisões e saídas das partes litigantes. Daí tornam-se "inimigas" e, para que a sociedade continue fluindo, é preciso que os "inimigos" vivam longe uns dos outros. Quando, por necessidade, passam a viver juntos, aí vivenciam uma grande tensão, o que resulta em frustrações mútuas, portanto, em brigas, enfim, em violência.

Para Mura, os Guarani não gostam de socializar com famílias inimigas. Ora, mas quem gosta? Ninguém, claro. Nenhum povo indígena. Mesmo assim, muitos convivem com inimizades potenciais porque têm instituições culturais mediadoras. Portanto, a pergunta que se impõe é por que os Guarani não criaram instituições de mediação cultural e social entre famílias inimigas.

Pergunta-se ainda, e no Paraguai, com os mesmíssimos Guarani, por que isso não se dá? O que têm os índios Guarani do Paraguai que os do Brasil não têm? Ou, o inverso.

Parece, portanto, que essa teoria não se coaduna com a realidade empírica e comparativa do mundo guarani. Há de haver outros fatores que levam á inimizade feroz entre famílias extensas no Brasil e a incapacidade putativa da cultura guarani em não conseguir criar instituições culturais de mediação.

Daí vem a segunda explicação, desta vez de cunho histórico: desde a década de 1960, as terras que os Guarani utilizavam de alguma forma, mesmo que formalmente só possuíssem oito (8) terras indígenas demarcadas, serviam de escape às brigas internas entre famílias. Até então, no Mato Grosso do Sul, havia um horizonte além das reservas indígenas onde existiam matas supostamente livres, onde as famílias se refugiavam das brigas internas e formavam novos "tekohá", novas terras para habitar. A partir do final dessa década, e intensificando-se cada vez mais, as terras "livres" passaram a ser tomadas por fazendeiros e os Guarani foram se confinando cada vez mais. Esta é a versão histórica de Fábio Mura.

Acontece, entretanto, que é a partir da década de 1970-80 que diversos grupos e lideranças guarani partem para a luta pela demarcação de novas terras e, realmente, novas terras guarani começam a ser reconhecidas e demarcadas pela Funai. De oito terras demarcadas na época do SPI, os Guarani passam a ter 28 terras demarcadas até agora, com mais umas quatro ou cinco em processos finais de demarcação. Portanto, a segunda teoria explicativa parece também sofrer de baixa comprovação histórica.

É claro que essa explicação é reforçada pelo fato de que, nessas últimas três décadas, houve um aumento populacional exponencial dos Guarani, particularmente em algumas terras indígenas, como Dourados e Amabai, que quadruplicaram suas populações. Assim, mesmo com novas terras, elas não são suficientes para se adequar à necessidade de famílias ficarem longe umas das outras.

A terceira teoria explicativa é a presença constante do branco, especialmente da estrutura do Estado (cita a Funasa, mas ignora a Funai) que impinge sobre a liberdade dos índios, criando novas regras e restrições ao seu comportamento cultural. A escola seria também uma instituição restritiva. Aqui nada é dito sobre os diversos cultos religiosos existentes nas terras Guarani, em especial de evangélicos, mas também de católicos e umbandistas. Nem tampouco as Ongs, os políticos, as prefeituras, todas impondo discursos novas e exigindo novos comportamentos dos Guarani.

A quarta teoria explicativa é propriamente cultural. Segundo Mura, a cultura guarani é muito introspectiva e os indivíduos se abatem magoadas e ridicularizados por atos minimamente inadequados ao comportamento padrão que essa cultura espera deles. Este sentimento de inadequação é piorado especialmente em virtude da imposição da cultura exógena, brasileira, que requer outro tipo de comportamento, ao qual os mais jovens buscam emular. A inadequação que um jovem sente leva a um sentimento radical de mágoa, tristeza profunda e angústia, chamado nhemyrô. Daí para o suicídio entre os jovens é um passo simples. Segundo Mura, os Guarani se sentem atraídos para o suicídio como se estivessem sendo chamados por aqueles que já morreram. Nas palavras de Mura, "Os relatos das pessoas que tentaram se suicidar é que sentiram-se chamadas como Hércules (sic), que ouvia o canto das sereias na Odisséia". (Hércules?! Não seria o Ulisses?)

Enfim, na entrevista abaixo, o antropólogo Fábio Mura abre o verbo e corajosamente diz coisas que o público antropológico em geral não tem ouvido sobre a questão guarani. São explicações mais sofi

PORTAL MS

Para o Cimi, mortes ocorrem, entre outras causas, devido a conflitos entre os indígenas pressionados pelo avanço do agronegócio

Brasília - No ano passado, 94 índios tiveram morte violenta. Segundo levantamento feito pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), foram 60 assassinatos e 34 suicídios. As mortes estão concentradas entre os Guarani Kaiowá, em Mato Grosso do Sul, onde ocorreram 42 assassinatos e todos os casos de suicídio.

Para o Cimi, as mortes ocorrem, entre outras causas, devido a conflitos entre os indígenas pressionados pelo avanço do agronegócio sobre as terras que ocupavam. A concentração de índios em reservas, demarcadas ainda no tempo da República Velha, força o convívio entre famílias inimigas e potencializa as tensões. Essa não é, no entanto, a única razão para as mortes.

Além dos males fundiários, enfrentados por diversos indígenas em todo o território nacional, há outras razões mais universais afligindoos índios que vivem no cone sul de MS.

O sentimento de paixão, o amor proibido e o conflito de gerações afetam tragicamente os Guarani Kaiowá, explica o antropólogo Fábio Mura, que desde 1991 estuda a etnia e é doutor em antropologia social pelo Museu Nacional no Rio de Janeiro e professor pela Universidade Federal da Paraíba. Leia,a seguir, os principais trechos da entrevista realizada com o pesquisador.

Agência Brasil - O que acontece em Mato Grosso do Sul é resultado do processo civilizatório nas áreas de fronteira agrícola?

Fábio Mura - Sim, sem dúvida. Ilustra claramente que existe um movimento por parte do Estado brasileiro de ocupação de espaços dentro do território nacional com objetivo de desenvolvimento, seguindo um determinado tipo de lógica que impacta a organização social e territorial dos indígenas.

ABr - Segundo relatório do Conselho Indigenista Missionário, a região concentra a maior parte dos casos de assassinatos e todos os episódios de suicídio entre os índios. Por que isso acontece lá?

Mura - Os Guarani têm uma especificidade em relação a outros grupos indígenas até mesmo da região se comparados, por exemplo, com os Terena. É complicado lidar com situação de redução territorial extrema. Até a metade da década de 60, os índios ainda tinham espaço de ocupação próprio, que não era compartilhado com os brancos. Esse tipo de ocupação mantinha as famílias indígenas, que são famílias extensas, de até quatro gerações, e que constituem comunidades políticas locais de até 200 pessoas. Naquela época, quando havia tensão interna dentro desses grupos, ocorria uma cisão e os índios podiam se distanciar uns dos outros e constituir uma comunidade em outro lugar.

ABr - O que ocorre agora?

Mura - A partir da segunda metade da década de 60, em decorrência do milagre brasileiro, da implementação da agricultura mecanizada, toda essa região foi profundamente atingida do ponto de vista ecológico. O que era 50% a 60% de cobertura vegetal foi quase que totalmente destruído. Hoje, temos aproximadamente 7% de média no cone sul [do MS] de vegetação nativa.

ABr - Mas, antes disso, não houve demarcação de reserva?

Mura - Os índios foram sistematicamente expulsos dos seus lugares e levados para oito reservas instituídas desde o Serviço de Proteção aos Índios [SPI, criado em 1910], entre 1915 e 1928. Essas reservas nunca foram entendidas pelos índios como espaço exclusivo deles. Algumas famílias permaneciam, mas muitas transitavam nas florestas. Quando essas florestas foram destruídas, as famílias - mesmo que fossem inimigas das que estavam dentro das reservas - foram levadas à força. Criou-se uma situação de tensão permanente e o inchaço das reservas. Os dados da década de 70 mostram que as populações das reservas triplicaram. No caso da Reserva de Dourados, cresceu 4 ou 5 vezes.

ABr - Na década de 80, o desfecho é o avanço do agronegócio?

Fábio Mura - Na década de 80, o que temos é uma situação de mudança não só no agronegócio, mas também do próprio comportamento indígena. Os índios, não tendo mais espaço para reproduzir seus grupos locais fora das reservas, começam a reivindicar terras e a reocupá-las sistematicamente. Isso leva a um conflito fundiário, que estamos assistindo até hoje. Além do conflito fundiário, há a presença cada vez maior do Estado dentro da reserva, especialmente pela promoção da escolarização. Com a entrada da Funasa [Fundação Nacional de Saúde] no atendimento à saúde indígena também se cria uma capilaridade de intervenção que vem condicionando muito a vida desses indígenas - favorecendo a assistência por um lado, mas controlando-os em relação ao que são os costumes, criando um estresse constante entre o conceito ocidental [não indígena] de vida e o ponto de vista dos indígenas sobre esses fatores, como por exemplo, tratar as crianças e se relacionar no meio familiar.

ABr - Qual seria a densidade ideal de ocupação dos indígenas?

Mura - O espaço utilizado pelos Guarani Kaiowá nunca foi uma coisa fixa e imutável. Mudava conforme o jogo de alianças [entre os índios e entre as famílias]. No passado, todo o espaço do cone sul era utilizado. No momento em que o Estado intervém, esse espaço torna-se inclusivo, isto é: um lugar que os indígenas têm que compartilhar com os brancos em uma situação assimétrica [desigual], em que o branco domina. As reivindicações de mais espaço se dão conforme a memória de origem da liderança de cada família e dizem respeito a momentos diferentes de ocupação dessas terras.

ABr - Como essa falta de espaço vai implicar suicídio?

Mura - O espaço territorial é fundamental para manter equilíbrio entre as famílias, para que não aumentem as tensões. Nos espaços codivididos, os jovens indígenas travam relações com membros de outras famílias consideradas rivais. Isso estressa e cria um conflito intergeracional. Nesse sentido, se tivesse mais distância haveria mais controle por parte das famílias, impedindo que esse tipo de relacionamento indesejado viesse a ocorrer. Os índios não gostam que membros de famílias inimigas se socializem juntos aos seus e nem que se criem situações autônomas de socialização.

ABr - Como assim?

Mura - Uma comunidade política local, com todos aliados entre si, se determina pelas relações de parentesco. Os índios não se juntam por amizade ou por ofício, eles se juntam por meio de alianças estabelecidas por meio de casamentos. Os casamentos até 50 anos atrás eram determinados pela vontade dos pais e, principalmente, dos avós, entre famílias aliadas ou que iam se aliar - e para isso faziam um intercâmbio matrimonial. Quando um jovem tem mais oportunidade de escolha, podem ocorrer situações em que não queira se casar com um membro aliado, mas como alguém de uma família rival.

ABr - A presença do não índio interfere?

Mura - Outro fator de estresse é a presença do branco em espaços neutros de socialização. Para os índios, não existe espaço neutro de socialização. Ou você está socializando dentro de um contexto de aliados políticos, ou você está fora dele. Com a entrada da escola nas terras indígenas cria-se uma situação em que os jovens são retirados do contexto familiar e do contexto político local para serem inseridos no espaço escolar, onde convivem indivíduos de famílias inimigas. Isso ampliou as possibilidades dos jovens de saírem do contexto social do grupo doméstico de origem.

ABr - E o suicídio?

Mura - Se nós observarmos as condições territoriais dos Terena no Mato Grosso do Sul, ou dos Guarani em outras partes do território brasileiro e até no Paraguai oriental, vamos perceber que o fenômeno do suicídio é muito reduzido, em alguns casos ausente. Por que então acontece? Não dá para dizer que seja efeito direto e simples da falta de espaço. Existe uma conjunção entre esses fatores estressantes para a organização social e fatores mais íntimos, que vêm da educação, da visão cosmológica dos Guarani Kaiowá, em que o indivíduo em sua formação psicológica é muito contido, fechado e suscetível às relações afetivas dentro do mundo doméstico.

ABr - O problema afeta então os mais jovens?

Mura - Os suicídios acontecem entre os jovens e cada vez vai reduzindo a faixa etária. Há registros de suicídio de uma menina com nove anos de idade. Os conflitos geracionais fazem com que o jovem queira fugir do controle social, que é esmagador dentro do contexto familiar. Eles querem sair, mas ao mesmo tempo são produto dessa família. Então, quando ocorre uma briga com a mãe ou com o pai, em situação pública especialmente, em que o jovem sinta-se ridicularizado ou maltratado, ele pode atingir um estado que chama nhemyrô.

ABr - O que é o nhemyrô?

Mura - É uma profunda mágoa, com o consequente fechamento do indivíduo, vivida em estado de perda da consciência e que leva essa pessoa a sentir-se chamada pelos espíritos de companheiros que se suicidaram ou estão mortos. Se um índio brigou com os pais porque queria namorar com uma pessoa não permitida, e essa se suicidou, é possível que na sequência aquele índio possa se suicidar porque se sinta chamado enquanto a alma daquela pessoa está em um patamar do céu, que ainda é muito próximo da terra. Os relatos das pessoas que tentaram se suicidar é que sentiram-se chamadas como Hércules, que ouvia o canto das sereias na Odisséia. Os índios sentem-se traídos porque estão nesse nhemyrô, um estado de muita angústia.

ABr - Desentendimento familiar e amor proibido são conflitos universais.

Mura - Há outro aspecto muito importante, também relacionado ao namoro e que não é uma mágoa ou conflito. Os índios falam do contágio com uma substância relacionada com o nascer ou por do sol, quando o horizonte fica amarelado. Eles chamam essa substância de araguajú e definem como paixão. Muitos jovens indígenas dizem que o homem branco sabe lidar com a paixão, mas eles não sabem. Todas essas situações são relatadas pelos índios como ataques de espíritos ou algo que tira os indivíduos de uma situação de normalidade. Os índios tentam curar as pessoas por meio das rezas, afastando de uma situação de contágio.

Incra é barrado por contrários à demarcação de terra quilombola

Um grupo de produtores rurais do distrito de Picadinha em Dourados impediu na final da tarde de ontem, 13 de maio, uma equipe do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agraria) de fazer a demarcação das terras da região consideradas como pertencentes a remanescentes de quilombolas.

O agricultor Rudi Eberhart disse que os funcionários do Incra não estavam com ordem judicial para entrar nas terras e por isso foram barrados. O clima ficou tenso no local e a PF (Polícia Federal) escoltava os agrimensores do Incra.

O advogado José Tibiriçá Ferreira, que tem propriedade na Picadinha, afirmou que entrou em contato com o senador Valter Pereira (PMDB), que fez gestões junto ao superintendente do Incra em Mato Grosso do Sul Flodoaldo Alencar pedindo uma providência para o caso.

Nota de repúdio

Repudiamos veemente a entrevista do governador José de Anchieta Júnior aos meios de comunicação. Ao qual chama a Terra Indígena Raposa Serra do Sol de Zoológico e Índios de Animais. Essa forma racista da parte do senhor Governador é inconcebível e contraria ao principio do artigo 231, lei da Constituição Federal de 88 onde prevê a demarcação regularização das terras indígenas, e dá direito aos índios de se organizarem. O governador José de Anchieta Júnior chama os índios de desumano de forma pejorativo não se adequando com o slogan que usa’’TRABALHANDO PRA VALER TRABALHANDO PRA CRESCER’’, Não nos intimidamos com tal atitude tão antiquada e racista. Somos moradores, destas terras, antes mesmo de nossos antepassados serem contactados pelos primeiros brancos no território brasileiro.

Desde quando a sociedade branca adentrou no vale do rio branco chegando ao nosso território como invasores, nós os recebemos na Terra de Macunaima, apesar de tudo, tratam a população indígena com indiferença e preconceito. A forma preconceituosa do “indígena” do atual governador é uma herança “maldita” dos governantes anteriores que nunca atenderam as reivindicações das comunidades indígenas integralmente e sim com migalhas de forma assistencial.

Os índios, sim senhor governador, são “animais”, porém animais racionais, inteligentes que pensam antes de declarar algo contra alguém. Tal declaração atinge não apenas a população indigena da raposa serra do sol, mas todos os povos indígenas do estado nacional. Onde há indigenas, temos certeza que há desenvolvimento e preservação, o exemplo disso, contabilizando entre a pecuária que é de R$ 32.640.000 e a produção agrícola que é 73.600.000 sem contar com outra fonte de renda de R$ 14.219.540,00 com pagamento de agente indígenas de saúde, professores e aposentados que aquecem o comercio roraimense todos os meses. A exemplo disso tem também no estado de Roraima 206 escolas, 928 professores, 9.102 alunos.

A Terra indígena raposa Serra do Sol, ainda não é suficiente, pois o que estamos obtendo, é somente uma parte do que nos foi tomada brutalmente e aleatoriamente ao longo dos cinco séculos de invasão. Essa é uma conquista árdua exaustiva e sacrificada que a décadas vimos lutando e esperando.

O senhor governador do estado, que tome postura de homem público, pois o senhor como chefe de estado governa não apenas uma raça, cor, credo ou religião mais todo um povo com culturas e costumes diferenciadas e que devem ser respeitadas na forma da lei e eticamente.

Fonte:espiritoindio.com.br

Aldeia Urbana Marçal de Souza

Depois de 13 anos de luta em busca da inclusão social do povo indígena da etnia Terena, a Aldeia Urbana Marçal de Souza tem motivos para comemorar o Dia do Índio, em 19 de abril. Aproximadamente oito mil índios vivem, hoje, em Campo Grande. Pioneira, a primeira aldeia urbana do país, localizada no bairro Tiradentes, concentra 700 pessoas. "Motivos não faltam para comemorar a data. Quando chegamos nesses hectares de terra, corremos contra o tempo para reunir nosso povo, que lutava para sobreviver na cidade, muitos sem ter o que comer. Hoje, temos moradia digna, escola, lazer, tudo isso sem fugir da nossa cultura indígena", conta a cacique da aldeia, Enir Bezerra, 54 anos.
Enir Bezerra, primeira cacique mulher de um grupo indígena no Estado, informa que antes da ocupação da área, transformada na primeira aldeia urbana da Capital, foi realizado um levantamento para identificar e localizar as famílias Terena que viviam em Campo Grande. Segundo ela, a maioria dessas famílias encontrava-se em condições precárias de moradia.
"Nosso povo saiu das aldeias em busca de trabalho, com um sonho de garantir melhor educação para os filhos. Acontece que, ao chegar aqui, depararam com uma realidade contrária. Eles não tinham qualificação, por isso não conseguiam emprego. Então, não podiam pagar o aluguel. Já que a maioria não possuía, ao menos, um registro de nascimento, viviam como fantasmas, em condições de verdadeira miséria", relata Enir.
A escolha da primeira cacique mulher do povo Terena é motivo de comemoração para a comunidade Marçal de Souza. "Até hoje, não existia uma mulher na frente da aldeia em Mato Grosso do Sul. Sinto-me honrada com esse título. Essa conquista está ligada à igualdade da mulher. Nossa comunidade é uma das mais fortalecidas do país. Não é à toa que nossa aldeia é referência nacional e, até mesmo, fora do país", comentou Enir Bezerra, ao lembrar que em 2006, a Prefeitura recebeu o prêmio Selo de Mérito de Interesse Social com o projeto da Aldeia Indígena Urbana Marçal de Souza.
Emocionada, a indígena conta que ao chegar a Capital, no dia 9 de junho de 1995, encontrou famílias indígenas em situações de exploração. "Tivemos casos em que o proprietário da casa apreendeu todos os pertences da família por conta de R$ 20 que faltou para pagar o aluguel. Encontramos mulheres morando em brejos, favelas. Crianças morriam por causa das más condições de habitação. Morriam de anemia profunda. Um absurdo. Esses são apenas alguns exemplos de como nosso povo vivia".
De acordo com a cacique Terena, num primeiro momento 20 famílias saíram das aldeias para Campo Grande. Hoje, a aldeia concentra 170 famílias. "Chegamos às quatro horas da manhã, montamos barracos cobertos por lonas, onde sobrevivemos por um tempo. Ao olhar nossas casas, cujo projeto da Prefeitura preservou a característica indígena, é com orgulho que afirmamos 'minha casa'", desabafa o indígena Itamar Jorge, 38 anos. Ele conta que no dia posterior à ocupação, a notícia se espalhou, resultando na chegada de mais famílias até formar essa grande família que é hoje a Aldeia Urbana Marçal de Souza.
Reflexão - Itamar afirma que o processo de miscigenação, as situações conflitivas que envolveram o período desde a ocupação da aldeia urbana e as conseqüências para os dias atuais valem uma reflexão nesta semana, em que as atenções estão voltadas para a cultura indígena. "Se somarmos todos os índios de diversas etnias que vivem atualmente em Mato Grosso do Sul, esse número ultrapassa 65 mil pessoas. O último senso realizado pela Prefeitura revelou que cinco mil índios viviam em Campo Grande até o ano de 2000. Esse número deve chegar a oito mil. Podemos afirmar que hoje, o povo Terena faz parte da sociedade campo-grandense".
O indígena lembra, ainda, que a oportunidade das crianças aprenderem a língua Terena, oferecida como atividade extra curricular pela Escola Municipal Sulivan Silvestre Oliveira, garante a fusão de raças e culturas entre os povos. "A alfabetização materna permite o resgate da nossa língua. Quem fala a língua vai continuar. Quem não sabe vai aprender e isso garante que a cultura Terena não se perca", analisa Itamar.
Bezerra adiantou que no próximo domingo, 19 de abril, Dia do Índio, três ônibus sairão da Aldeia Marçal de Souza com destino às aldeias espalhadas na área rural, onde as famílias se reúnem para cumprir o ritual, realizado todos os anos, como forma de agradecimento pelas conquistas do povo Terena. "Convidamos toda população indígena para comemorar essa data voltada para nosso povo. Nossa cultura está fortalecida e motivos não faltam para confraternizarmos", argumentou.

Beleza Indígena

A índia terena Valéria Marcelino Figueiredo, 18 anos, foi a vencedora do 1º concurso de Beleza Indígena do Pantanal, que elegeu, no sábado (25), a índia mais bonita de Mato Grosso do Sul. Em segundo e terceiro lugar ficaram as também terenas Fernanda dos Santos Mendes, 17 anos, e Yasmin Nogueira Takaiama, 14 anos, respectivamente.De acordo com a organização do evento, a participação das candidatas empolgou os espectadores. “A mulher indígena sofre duplamente o preconceito da sociedade, por ser indígena e mulher. O 1º Beleza Indígena do Pantanal exaltou a nossa beleza e mostrou a nossa riqueza cultural. Foi emocionante", diz a terena Silvana Dias de Souza, uma das idealizadoras do concurso.O concurso ocorreu em Campo Grande, no Parque do Sóter, e reuniu 17 candidatas das etnias ofaié, terena, guarany kaiwá, atikum, kadiwéu e guató. As concorrentes ao título foram escolhidas nas edições locais do Beleza Indígena realizadas nas aldeias. O processo foi acompanhado pessoalmente por Silvana.As índias desfilaram com trajes típicos e acessórios produzidos por elas mesmas. Na torcida, membros das tribos lotaram o parque. Além de um prêmio simbólico em dinheiro, a primeira colocada ganhou uma televisão; a segunda colocada, uma câmera fotográfica digital; e a terceira, um book fotográfico.

Trem do Pantanal: Lula vai embarcar em Aquidauana

Depois de uma viagem no Trem do Pantanal hoje no trecho entre o distrito de Palmeiras, município de Dois Irmãos do Buriti e Aquidauana, ficou praticamente definida a agenda do Presidente da Republica Luiz Inácio Lula da Silva.
Equipe de assessores da presidência da Republica e encarregados da segurança além de membros do cerimonial do Governo do Estado fizeram a vistoria do trecho. O Chefe da Casa Civil Osmar Jerônimo, Nilde Brum da Fundetur e Américo Calheiros da Fundação de Cultura também participaram da viagem.
Lula desembarca em Campo Grande, segue de helicóptero até Aquidauana, descerra fita inaugural na Estação Ferroviária e embarca no Trem do Pantanal. Lula juntamente com convidados vai até ao Distrito de Palmeiras, localidade onde desembarca retornando de helicóptero para Campo Grande, capital do Estado de Mato Grosso do Sul.
O prefeito Fauzi Suleiman e o vice Vanildo Neves recepcionaram as autoridades neste inicio de noite na Estação Ferroviária de Aquidauana.
A confirmação do embarque em Aquidauana foi recebida com um misto de alegria e emoção. “Lula vai sentir a hospitalidade de nossa comunidade, tenho certeza disso. É momento de agradecer a Deus por esta oportunidade única. O Trem do Pantanal é uma dádiva”, disse Fauzi ao Aquidauana News.

fonte:www.aquidauananews.com.br

Demarcação SIM, latifundio NÃO!!

Terrorismo, mentira e medo tem sido o tripé ideológico que vem dominando o discurso político em Mato grosso do Sul. Através da maioria dos meios de comunicação acompanhamos notícias carregadas do ódio e preconceito sobre as questões indígenas dizendo que "índios são vagabundos, bêbabos e sujos, que só querem direitos e nunca deveres, não precisam de terras, pois não produzem nada, além disso já estão integrados a civilização" todas essas afirmações invadem a vida cotidiana da cidade insistem em ser a verdade incontestável, tudo isso ocorre pelo fato der que não "existem vagabundos e bêbados na sociedade não indígena civilizada" nas portas da sociedade civilizada "pedindo "pão velho", dividindo migalhas com os cães,"nobres cães", existe uma grande integração. Essa é a democracia de domocratas, latifundiários, que sempre vive a negar a outra cultura justificada pela integração que todos os dias produz a economia regional do "pão velho e do lixo". Todos os dias latifundiários e seus emissários se posicionam contra a demarcação de terras indígenas, no último dia 28/03/09 em entrevista ao jornal o progresso o vereador Gino(DEM), clasificou os que apóiam a demarcação como "bandidos", e defenfeu a idéia do Deputado Estadual Zé Teixeira também do (DEM) de que os fazendeiros devem sim contratar seguranças (que irão atuar como jagunços de plantão), tudo prara promover a "democracia" do latifundio. Se não bastasse, depois de ameaçarem representantes da FUNAI(Fundação Nacional do Índio), agora estão fazendo terrorismo com a Igreja Católica, colocando Padres na forca, e exigindo que sejam contrários a demarcação, já que são os poderosos que financiam a Igreja Católica.
Trabalhadores, estudantes e eleitores, cuidado com a "violência" da informação, ela pode alienar a sua mente, com o intuito de que nem percebam quem são