Seja bem-vindo! Hoje é

Lagoinha de luto!!!!

A morte de Reginaldo Miguel, ex-cacique da aldeia Lagoinha, um dos fundadores da mesma, falecido no último dia 24 desde mês deixou uma etnia com semblantes baixos, pois quem o conheceu de perto, sabe da sua importância, desde a criação das aldeias Terenas de Aquidauana, até os dias atuais.
Quero nestas poucas linhas deixar o meu luto pelo seu falecimento, meus pêsames a toda sua familia, aos filhos e netos e minha pequena experiência que tive ao visita-lo em 2007. Naquele fim de tarde com sol escaldante fui conduzido até ele por seu neto, Carlos Ronaldo Miguel da Silva, que com carinho e respeito o chamo de primo carlos, ao vê-lo descansando sentado em uma cadeira questionei algumas perguntas ele me respondeu, mas eu não conseguia entender, seus lábios não estavam lhe obedecendo, onde seu neto me fez a tradução, fiz questão de tirar algumas fotos ao seu lado e tenho guardado até hoje como lembrança de uma de minhas vizitas a aldeia Lagoinha, pude perceber no seu olhar a fadiga e exaustão em seu corpo.
Reginaldo, um dos troncos Terenas da Aldeias Lagoinha, nos deixa uma lacuna em nossa etnia, pois leva consigo parte da história Terena e seu conhecimento adquirido ao longo de sua vivência.
Tanta consideração e reconhecimento por parte dos Terena de sua aldeia, que a escola estadual da mesma leva com honra e orgulho seu nome: Escola Estadual Indígena Pastor Reginaldo Miguel-Hoyenó'o, o que nos conforta é que ele pode não estar entre nós, mas sabemos que ao erguermos nossas cabeças para o céu, ele estará a nos olhar.

19 de Abril

Dia do índio, comemorado em todo o território nacional, é um significado relevante no cotidiano de cada indígena, desde o período pré-cabralino, até os dias atuais são mais de 500 anos. Há o que comemorar?
No dia 19/04/09, nas aldeias de Dourados, muitos festejaram esta data; Na aldeia Jaguapiru, a comunidade Terena, juntamente com a etnia Guarani e Kaiwa celebraram esta data, que teve inicio as 10:00hs da manhã com as falas do, Hélio Nimbu (pastor da Igreja Indígena), Fernando de Sousa (representante da Saúde Indígena), Genivaldo da Silva Ferreira (representante dos acadêmicos indígenas da UEMS), Aurélio Bonato (vereador de Dourados-PDT) e Esaú Mamede( coodenador de Assuntos Indígenas da prefeitura de Dourados). Em seguida deu-se inicio as apresentações culturais com a dança feminina terena, popularmente conhecida como dança do sabiá, logo após a dança masculina Terena, a dança do bate-pau, além das apresentações esplanou-se os seus significados na cosmologia Terena e a importância de preserva-la nos dias atuais.
Esteve presente durante a esplanação o Prefeito de Dourados, Ari Artuzi juntamente com o secretário de governo e sua acessoria. Ari Artuzi resaltou as obras que estão sendo feitas nas aldeias de Dourados nas áreas da educação , saúde, assistência social, segurança, mesmo com o clima de tensão entre produtores rurais e indios sobre a possível demarcação de terras Guarani/kaiwa no cone sul, de Mato Grosso do Sul.
Mais de 500 anos se passaram, as nossas terras são espoliadas, nossas crianças morrem de desnutrição, nossos jovens se suicidam, nossos velhos anciões perdem a esperança de dias melhores, nossos xamãs se colocam em pranto profundo e lamentam a calamidade e o caos que chegou nas aldeias. O dia 19 de Abril ganha um novo significado, de lembrar os nossos líderes e caciques que já se foram e o de ser conciêntes que a nossa propria existência como etnia. é a consequência da luta e resitência de nossos antepassados, um motivo de orgulho para todos os indígenas de diferentes etnias do nosso Brasil!!!!

I CONFERÊNCIA REGIONAL DE EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA: POVOS DO PANTANAL

A I Conferência Regional dos Povos do Pantanal ocorreu de 05 a 09 de abril de 2009, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, com a participação de 128 (cento e vinte e oito) delegados indígenas eleitos nas comunidades educativas locais das etnias: Atikun, Kinikinau, Kadiwéu, Guató, Ofayé e Terena. Participaram, portanto, lideranças indígenas, professores, pais, mães de alunos, representantes do Comitê de Educação Escolar Indígena, Ministério da Educação, Fundação Nacional do Índio, Secretaria Estadual de Educação, Secretarias Municipais de Anastácio, Aquidauana, Brasilândia, Campo Grande, Corumbá, Dourados, Dois Irmãos do Buriti, Nioaque, Miranda, Sidrolândia, Porto Murtinho, Fundação de Cultura de Campo Grande, Centro Estadual de Formação de Professores Indígenas, Fundação Nacional de Saúde, Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Conselho Municipal de Alimentação Escolar de Aquidauana, Prefeito de Aquidauana e Dois Irmãos do Buriti, União dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Centro de Trabalho Indigenista (CTI), além de representantes da Comissão Organizadora Nacional da I Conferência de Educação Escolar Indígena do Estado de Roraima e convidados observadores da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro.
A Conferência foi organizada a partir de cinco eixos temáticos: “Políticas, Gestão e Financiamento da Educação Escolar Indígena”, “Educação Escolar, Territorialidade e Autonomia dos Povos Indígenas”, “Diretrizes para a Educação Escolar Indígena”, “Participação e Controle Social” e “Práticas Pedagógicas Indígenas”.
Esses eixos foram apresentados e discutidos por meio de exposições de conferencistas, organizados em “mesas temáticas”, seguidos de discussão em plenária e grupos de trabalho GT.
Nos GTs, os delegados e demais participantes retomaram as discussões, aprofundaram reflexões e sugeriram propostas para a plenária e documento final.
Foram eleitos 16 delegados indígenas e 9 delegados de instituições para a Conferência Nacional. O documento final foi aprovado e as propostas deverão ser apresentadas e defendidas pelos delegados eleitos na I CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA a ser realizada em Brasília.
A plenária ressalta a importância da efetivação das propostas aqui apresentadas. Cada instituição presente e todos os delegados indígenas se responsabilizam por seu cumprimento e que esse documento sirva de referência para as ações de educação na região para os próximos anos.



EIXO TEMÁTICO: POLÍTICAS, GESTÃO E FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA

1. Garantir oferta de Educação Escolar Indígena, independente da situação administrativa territorial da comunidade.
2. As escolas indígenas devem estabelecer mecanismos de articulação com os municípios, estados e federação, conselhos tutelares e ministério público.
3. Garantir recurso diferenciado para toda estrutura física e pedagógica da Educação Escolar Indígena.
4. Assegurar a elaboração do Projeto Político Pedagógico e Regimento Escolar das escolas indígenas, conforme a deliberação do Conselho Estadual de Educação MS nº 6767/2002, assegurando a participação da comunidade indígena na gestão escolar;
5. Criação de sub-sistema escolar indígena para gerenciar recursos.
6. Adaptar o calendário escolar conforme a demanda de cada comunidade.
7. Assegurar às escolas indígenas autonomia para administrar os recursos destinadas para a elaboração e publicação de material didático específico;
8. Assegurar a reestruturação do PAR (PLANO DE AÇÕES ARTICULADAS) para atender às propostas das escolas indígenas.
9. Criar e efetivar Conselhos Municipais e Estaduais de Educação Escolar Indígena.
10. Criar programas que ofereçam a modalidade de educação complementar para as crianças e jovens nas aldeias;
11. Assegurar a oferta de formação específica e continuada dos professores e gestores indígenas;
12. Promover encontros e seminários entre professores e lideranças indígenas e instituições educacionais não-indígenas com o objetivo de avaliar o funcionamento da educação escolar indígena em suas especificidades;
13. Assegurar a realização de concurso diferenciado, valorizando a carreira do magistério indígena, a nível municipal e estadual;
14. Formar profissionais indígenas em todas as áreas de conhecimento.
15. Acelerar os processos de criação, credenciamento e autorização de funcionamento da categoria de escola indígena.
16. Assegurar a eleição do diretor escolar pela comunidade.
17. Assegurar a oferta de água potável nas escolas indígenas, por meio de parcerias entre o MEC e a FUNASA para a perfuração de poços artesianos específicos para as escolas indígenas;
18. Assegurar a instalação de linhas telefônicas nas escolas indígenas.
19. Criar mecanismo diferenciado junto ao TCU que institua meios para que os produtos sejam comprados/comercializados direto do produtor indígena para as merendas escolares;
20. Garantir a presença de representantes indígenas nos Conselhos municipais e estaduais de alimentação escolar para fiscalizar a gestão da merenda.
21. Assegurar o transporte escolar, conforme a necessidade de cada escola e garantir fundos para o transporte de universitários indígenas.
22. Assegurar que a União, os Estados e os Municípios, em articulação, se responsabilizem pela oferta da educação infantil, de acordo com a demanda de cada comunidade indígena, garantindo-se a criação ou adequação do espaço físico, equipamentos e materiais pedagógicos e a participação das famílias nas ações da educação infantil;
23. Garantir a oferta da Educação em todos os níveis conforme a necessidade e reivindicação da comunidade indígena;
24. Assegurar a criação de cursos técnicos profissionalizantes dentro das comunidades;
25. Criar cursinho pré-vestibular nas aldeias;
26. Assegurar a criação de universidade pelo governo federal, com extensões dentro das aldeias, para os povos do pantanal, respeitando-se suas especificidades, garantindo o acesso e permanência dos alunos;
27. Garantir a implantação do plano de cargos e carreiras para os professores indígenas;
28. Garantir que o MEC, Estados e Municípios construam um centro de eventos voltados para a Educação Escolar Indígena com estrutura de: anfiteatro, alojamentos completos (preferencialmente dentro de uma comunidade indígena)


EIXO TEMÁTICO: EDUCAÇÃO ESCOLAR, TERRITORIALIDADE E AUTONOMIA DOS POVOS INDÍGENAS


1. O território etnoeducacional dos povos do Pantanal deve envolver de forma articulada os representantes dos povos indígenas, MEC, a Secretaria Estadual de Educação e as Secretarias Municipais de Educação de: Anastácio, Aquidauana, Brasilândia, Campo Grande, Corumbá, Dois Irmãos do Buriti, Dourados, Miranda, Nioaque, Porto Murtinho, Rochedo, Sidrolândia, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, UNIGRAN, UCDB, FUNAI e organizações de apoio.
2. Durante a implantação, o MEC deverá promover discussões com as instituições e representantes indígenas para aprofundar a proposta dos etnoterritórios, sua composição, considerando sua área de abrangência em outros Estados.
3. A composição da comissão do etnoterritório dos Povos do Pantanal deve assegurar a representação de todas as etnias, considerando um mínimo de dois representantes para cada uma, e nos casos de etnias com grande população, de um representante por município;
4. Que o MEC assegure condições técnicas e financeiras para que os representantes indígenas possam difundir as propostas debatidas nos planos de ação dos etnoterritórios contratando os conselheiros indígenas para o etnoterritório e proporcionando as condições para que os mesmos possam percorrer todas as comunidades e participar das reuniões;
5. Garantir encontros do território etnoeducacional dos Povos do Pantanal a cada seis meses para reavaliar os planos de ação, com base nos direitos de livre determinação dos povos indígenas;
6. O MEC deve assegurar recursos financeiros para os povos do Pantanal criem uma Comissão Regional com a participação de professores indígenas, lideranças, governos, secretaria de educação, ministério público, CTI e CIMI, para garantir os direitos indígenas e o respeito às tradições e costumes de cada etnia;
7. Garantir a criação da Coordenação de Educação Escolar Indígena dentro das Secretarias do Estado e dos Municípios com representantes indígenas;
8. Que os municípios nomeiem pessoas que realmente entendam das questões indígenas para os cargos de coordenadores municipais de educação, garantindo a anuência das comunidades indígenas;


EIXO TEMÁTICO: DIRETRIZES PARA EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA


Assegurar o ensino da cultura e língua indígena, desde a educação escolar infantil, garantindo sua oferta até o ensino médio de acordo com a realidade de cada comunidade;
2. Assegurar que o MEC crie políticas públicas para o fortalecimento e revitalização da Língua Indígena na escola, assegurando recursos para a elaboração e publicação de materiais didáticos;
3. Reformular os RCNEIs – Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Indígena, garantindo a participação direta de professores e lideranças de todas as etnias;
Assegurar no Projeto Político Pedagógico a questão do compromisso, e responsabilidade do professor indígena, garantindo meios de participação dos pais em sua discussão e elaboração, assim como do regimento;
5. Assegurar a formação inicial e continuada de professores indígenas nas esferas municipais e estaduais nas escolas indígenas para atenderem a educação especial indígena (Educação Inclusiva);
6. Assegurar o ensino o bilíngue e multilíngue como ponto de partida para a construção da educação e formação profissional;
Assegurar o Ensino Médio Integrado, diversificado e diferenciado que atenda as demandas das comunidades de acordo com as potencialidades locais;
Aprimorar a formação continuada de professores indígenas, para que possam formar alunos críticos, capazes de argumentar e contribuir para a educação escolar indígena;
Que o MEC, Estado e municípios garantam suporte para os professores indígenas elaborarem as diretrizes para a formação de professores indígenas, tanto no Ensino Médio/Magistério quanto nas licenciaturas interculturais, garantindo a formação de professores indígenas para a educação infantil e educação especial nas escolas indígenas de acordo com a realidade de cada povo;
Divulgar o programa PNAEI/FNDE e promover discussões junto ao MEC e as comunidades indígenas com a finalidade de formar um conselho que possa realizar a compra de merenda para as escolas indígenas;
Assegurar suporte técnico (municipal, estadual, federal e universidades) para as comunidades indígenas que precisam, com a finalidade de construção e reestruturação do PPP específicos, contribuindo, assim, para que a escola passe a ser efetivamente indígena e respeitada;
Oferecer informações e esclarecimentos para a comunidade indígena sobre a legislação que serve de fundamentação para o funcionamento da escola;
Que o Estado assegure a democratização da escola indígena aproveitando os professores indígenas qualificados para assumirem o cargo de direção sem necessariamente serem do quadro efetivo;
Garantir no PPP o respeito pelas tradições e costumes de cada etnia; trabalhar a arte e a cultura indígena;
Normatizar e ampliar a oferta da Educação Infantil nas escolas indígenas, garantindo que os princípios da Educação Escolar intercultural sejam considerados;
Que o MEC e o Estado assegurem a construção de escolas indígenas com estruturas físicas que atendam todas as áreas do conhecimento;
Integrar na ementa curricular a disciplina de arte e cultura indígena.





EIXO TEMÁTICO: PARTICIPAÇÃO E CONTROLE SOCIAL


1. Garantir a participação qualificada e legitimada das comunidades indígenas nos conselhos de educação escolar indígena e não-indígena federal, estaduais e municipais e nos Conselhos Municipais e Estaduais de Merenda Escolar;
2. Garantir a representação indígena nas Secretarias Municipais e Estaduais de Educação, independente da nomenclatura atribuída pelos órgãos, para os cargos de gestor, assessor ou técnico de educação escolar indígena;
3. Capacitar os conselheiros indígenas para as devidas atuações no controle e participação social;
4. Disponibilizar recursos para a participação dos representantes das comunidades indígenas nos espaços de controle social da educação escolar indígena;
5. Garantir a participação de representantes das comunidades indígenas urbanas no Comitê de Educação Escolar Indígena;
6. Assegurar suporte jurídico e recursos orçamentários para o Controle Social Indígena;
7. Ampliar o número e participação dos membros indígenas na Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena;
8. Criar Comissões Indígenas para acompanhar as ações governamentais: municipais, estaduais e federais;
9. Inserir conselheiros indígenas nas instâncias de fiscalização do FUNDEB no Estado e Municípios, assegurando, junto ao MEC, a formação continuada desses conselheiros, para o exercício das ações de controle social;
10. Assegurar condições políticas, administrativas e orçamentárias ao representante indígena nas Coordenações de Educação Escolar Indígena a nível Municipal, Estadual e Federal.
11. Criar um sistema de informações destinado aos povos indígenas que garanta que todas as comunidades tenham acesso as informações sobre recursos financeiros de origem federal, estadual e municipal destinados aos povos indígenas, bem como de programas, projetos e outros meios que contribuam para o desenvolvimento sustentável das aldeias, possibilitando as mesmas de modo transparente o acesso local as informações do seu interesse;

EIXO TEMÁTICO: PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INDÍGENAS

1. Buscar mecanismos que favoreçam a participação da comunidade indígena na escola e na discussão das práticas de ensino;
2. Criar uma comissão para a elaboração e escolha dos livros didáticos e paradidáticos adequados às realidades socioculturais dos povos indígenas;
3. Reconhecer a participação dos anciões na prática do etnoconhecimento, dentro das escolas indígenas, garantindo recursos necessários para essa finalidade;
4. Garantir que o Órgão Mantenedor crie e equipe bibliotecas virtuais em cada escola indígena municipal e estadual, com acervos documentais que contemplem a cultura indígena e a prática pedagógica indígena;
5. Articular o saber próprio da vivência da comunidade indígena com o saber da escola, tendo em vista a demanda para o campo de trabalho;
6. Estabelecer o diálogo entre as áreas da saúde e gestão ambiental dentro da escola;
7. Desenvolver políticas direcionadas à comunidade indígena, para que a mesma possa entender a importância do trabalho com a língua materna nas escolas indígenas;
8. Formar coordenadores pedagógicos indígenas;
9. Formar professores indígenas para a atuação nas diferentes áreas de conhecimento do ensino básico;
10. Criar um grupo de apoio pedagógico para atuar nas escolas indígenas;
11. Complementar a carga horária dos professores indígenas com o desenvolvimento de pesquisas;
12. Garantir recursos financeiros para encontros regulares de professores indígenas, com o intuito de trocar experiências sobre a prática pedagógica nas escolas indígenas;

PAEI incluiu o índio no ensino superior

Em dez anos a UNIGRAN graduou 52 acadêmicos indígenas, por meio de um projeto inclusivo e inovador. A real dimensão desse número se releva na comparação: até o ano de 2000, praticamente não havia índios brasileiros formados no ensino superior. A exclusão do índio , mais de um século fora da universidade, mudou em Dourados, a partir das ações afirmativas empreendidas pela UNIGRAN.
Em convênio com a Funai, a Instituição criou o Programa de Apoio do Estudante Indígena (PAEI), oferecendo cem bolsas de estudos integrais para os índios aprovados em vestibular. O PAEI possibilitou a formação de administradores, pedagogos, psicólogos e vários outors profissionais, inclusive, o primeiro advogado índio do país.
O terena Wilson Matos da Silva ingressou no curso de Direito em 1999 e formou-se em 2003. Hoje, ele é o presidente da Comissão Especial de Assuntos Indígenas, da OAB-MS. Outro bacharel índio, graduado no ano seguinte, faz mestrado na Universidade Federal do Pará. Essas e várias outras conquistas ajudaram a mudar o ambiente nas Aldeias do minicípio.
Com perspectivas de acesso a uma faculdade, diminui a evasão escolar na educaão básica, por exemplo, e aumentou a mobilização da comunidade por uma escola de ensino médio perto de casa. "Antes, a escola atendia a eles fora da aldeia, tinha problema de transporte, e isso dificultava muito ", conta Neide Ferranti, diretora da Escola Guateka, instalada em condições ainda precárias na Aldeia.
Ela reconhece a importância do papel da UNIGRAN, na evolução social das comunidades indígenas, e do acesso do índio ao ensino superior. Assim, a comunidade pode ter representantes qualificados par tratar de suas questões, em pé de igualdades em debates nas diferentes instâncias de governo e da sociedade, como diz o professor guarani Aguilera de Sousa, 33.
" Defendo muito essa parceria, UNIGRAN/FUNAI, daí saem pessoas com condições de debater questões se saúde, educação, questões da terra", disse o pedagogo. Graduado com bolsa do PAEI, em 2005, e pós-graduado também na UNIGRAN, atualmente Aguilera ocupa os cargos de coordenador de Educação, da prefeitura de Dourados, e é docente da Faculdade de Educação da UNIGRAN.
O PAEI- modelo seguido por outras instituições do país, a partir de 2002-foi elaborado juntocom as lideraças indígenas que representando suas comunidades-reclamavam para seus filhos as oportunidades que tem os vizinhos da cidade.
Neste ano existem 31 alunos indígenas que estudam na UNIGRAN com bolsas integrais do PAEI




Indígenas apoiados pelo convênio UNIGRAN/FUNAI
Início do Paei 1999 Engressos 2002-2008 / Matriculados 2009
Direito 4 / 2
Administração 5 / -
Biomedicina 3 / 1
Pedagogia 16 / 5
Letras 1 / -
Ed. Física 4 / 5
Contábeis 2 / 1
Biológicas 1 / 1
Psicologia 1 / 1
Fisioterapia 2 / -
Enfermagem 7 / 10
Serv.Social 1 / 2
Computação 1 / -
Matemática 1 / 1
Nutrição - / 2
Med.Veterinária - / 1
Totais 52 / 31
Fonte: Jornal Indígena publicação especial

Educador nota 10 trabalha por sua comunidade

O professor guarani Ismael Morel, 28, ganhou o prêmio "Professor nota 10", da Fundação Victor Civita, dois anos após se formar em Educaçõa Física na UNIGRAN. Em 2006, ele concorreu com cinco mil candidatos de todo o país e foi escolhido por seu trabalho na Escola Indígena Mbo'eroy (casa de Ensino ), da aldeia de Amambai, sul do Estado. Fator decisivo na escolha foi o comprometimento com sua comunidade.
Ismael reside na aldeia, que tem 8 mil habitantes de origens guarani/kaiowá. Ele disse que a faculdade mudou seu modo de ser, de pensar e de agir. Mas todos os seus projetos objetivaram dar suporte e sustentabilidade para seu povo." Antes , eu tinha a visão de trabalhar só para ganhar o meu sustento; hoje, penso em trabalhar para a comunidade ", disse o professor Ismael.
Ele considera a UNIGRAN como pioneira e fundamental no apoio à permanência do índio no ensino superior . " Eu me formei graças a bolsa. É uma forma de estar possibilitando ao índio ter mais conhecimento , e que ele possa desenvolver mais ainda sua aldeia" , falou . Morel entende que é obrigação do indígena transformar seu aprendizado e conhecimento acadêmico em ações comunitárias .
" Eu acho que tem uma lacuna, aí . Se o acadêmico se formar e retorna com seu trabalho para a comunidade , há um grande desenvolvimento, porque a educação é a base de toda a sociedade, seja índio, branco, negro, amarelo, de qualquer raça", declarou. Após a graduação , Ismael Morel se especializou em Psicomotricidade , e agora tem novos planos de educação comtinuada.


Fomte:Jornal Indígena

Só precisaram da oportunidade!!

Eles já passaram dos 30 , e logo reconheceram o valor de uma bolsa de estudos. "É uma oportunidade que nós agarramos de unhas e dentes, não reprovei nem um ano ", diz a psicóloga . A índia terena graduada em 2005 é hoje coordenadora do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), e está concluindo a pós-graduação em Psicopedagogia.
Casada e mãe de dois filhos, Elizete se preocupa com situação na área indígena de Dourados. Com o alcoolismo, em especial, que tem sido tema de seus trabalhos acadêmicos. Ela se aproximou mais dessa questão trabalhando na Funasa, órgão de saúde pública que atende às Aldeias de Mato Grosso do Sul. "Eu sempre pensei na proposta de trabalhar, não fora, mas sim dentro da comunidade indígena", falou.
O parente dela, Elias Moreira, 37, casado e pai de uma filha, seguiu a carreira da educação e é o coodenador de primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental, na escola Minicipal " Tengatui Marangatu ". Elias é o primeiro índio a se formar com a bolsa da PAEI, em . Antes, o pedagogo sequer cogitava cursar uma faculdade. " Na época, eu não tinha condições de fazer a faculdade" confidenciou.
Hoje, ele se põe como referência, quando sente um jovem desmotivado com a escola. "Nada na vida é fácil, mas jamais a gente vê em nossos alunos, muitas vezes , eles não conseguem ter o pensamento voltado para uma universidade, para uma coisa maior , e a gente se coloca comom exemplo."A UNIGRAN contribuiu muito com o nosso crescimento, e continua contribuindo, tenho certeza disso", declarou.


Fonte: Jornal Indígena, Amigo do Indio/edição especial

V SEMINÁRIO INDÍGENA DA UNIGRAN/DOURADOS

Organização: Pró Reitoria de Extensão, AMI - Amigo do Índio e acadêmicos Indígenas da UNIGRAN.
Período: 13 a 19 de Abril
Programação:

Dia 13/04/ 09

-Período Matutino

08h00min: Conferência preparatória para o Seminário: Declaração dos Povos Indígenas: O documento da ONU.
Palestrante: Dr. Francisco das Chagas Lima filho/ Desembargador do Tribunal Regional do Trabalho e Diretor da Escola de Magistratura do TRT da 24 região e Professor da Faculdade de Direito da UNIGRAN.
Mediação: Advogado Wilson Matos da Silva ( Graduado em Direito e Pós Graduado em Direito Constitucional - Presidente da Comissão Especial de Assuntos Indígenas da OAB de Campo Grande – CEAI )

Dia 14/04/09

- Abertura das Exposições de arte indígena, apresentação da dança terena e 10 anos da AMI – Amigo do Índio – Coordenação: Claudia Ollé, Odaléia Reginaldo Faustino F। Sousa / AMI e Érica Caneta Presidente AMI.

Dia 15/04/09

-Período Noturno:

19h00min: Abertura Solene.

19h30min: Atividade Cultural.

20h00min: Mesa Redonda: Identidade e Realidade de Perspectiva dos Povos Indígenas de Dourados
01 representante Terena: Fernando da Silva Sousa
01 representante Kaiowá Nandeva: Michele Alves Machado
01 representante Guarani: Cajetano Vera
Mediação: Professora Doutora: Marina Vinha/UFGD
22h00min: Encerramento.

Dia 16/04/09

-Período Noturno

19h30min: Apresentação Cultural.

20h00min: Seminário de Pesquisa Indígena, apresentação de pesquisa: Ensino Diferenciado indígena: um estudo de caso na Escola Municipal Indígena Tengatui Marangatu – Prof.ª Eliana Costa Cury.

Dia 17/04/09

-Período Vespertino:

07h00min às 11h00min: Atividades de Recreação, Jogos e Brincadeiras para os alunos da Araporã – Aldeia de Dourados.
Responsáveis: Curso de Pedagogia da Unigran – Professora Márcia Rita e Curso de Educação Física – Professor Carlos Muchão

14h00min às 17h00min: Continuidade do Seminário de Pesquisa de Comunicação Oral: Coordenação das Professoras Eliana da Costa Cury e Terezinha Bazé de Lima.

-Período Noturno:

19h30min: Apresentação Cultural.

20h00mim: Oficina Convívio na Universidade: Relações Étnicas Indígenas e não-Indígenas.
Ministrantes: Professores Aguilera de Sousa, Maximino Rodrigues e Walter Marins Benites ( Acadêmicos Indígenas Egressos de Cursos da Unigran ).
Coordenação: Edna de Sousa e Fernando da Silva – Coordenadores do NAM, Jaguapiru e Bororó/AMI.

Dia 18/04/09

-Período Matutino:

09hàs16h: Ação Global na Aldeia: Realização de acadêmicos e professores de todos os cursos da UNIGRAN.
Coordenação: Amigo do Índio; Pró-Reitoria de Extensão e Pró-Reitoria administrativa da UNIGRAN.

Dia: 19/04/09

-Participação na Comemoração Interna das Festividades da Aldeia de Dourados.

Obs.: No período de 14 a 17 haverá as seguintes exposições nos corredores da UNIGRAN:
1- Artesanato e cultura Indígena – Coordenação da professora Claudia Ollé/UNIGRAN e Odaléia Reginaldo Faustino Sousa/AMI;
2- Exposição: Memórias: 10 anos de Ações da AMI na Aldeia de Dourados – Coordenação – Érika Kaneta (Presidente da AMI).
3- Lançamento de um jornal ( especial ) sobre as Ações da UNIGRAN e AMI em prol do Desenvolvimento dos Povos Indígenas de Dourados. Responsáveis – DECOM/UNIGRAN e Curso de Jornalismo – Coordenação: José Roberto

Racismo é burrice!!!

Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano"O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar"Racismo, preconceito e discriminação em geral;É uma burrice coletiva sem explicação. Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união, mas demonstra claramente, infelizmente preconceitos mil de naturezas diferentes, mostrando que essa gente, essa gente do Brasil é muito burra!e não enxerga um palmo à sua frente porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente, eliminando da mente todo o preconceito, e não agindo com a burrice estampada no peitoA "elite" que devia dar um bom exemplo, é a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento, num complexo de superioridade infantil, ou justificando um sistema de relação servil e o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação, não tem a união e não vê a solução da questão, que por incrível que pareça está em nossas mãos!só precisamos de uma reformulação geral, uma espécie de lavagem cerebral

Racismo é burrice!!

Não seja um imbecil, não seja um ignorante, não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante, o quê que importa se ele é nordestino e você não?O quê que importa se ele é preto e você é branco, aliás, branco no Brasil é difícil!! porque no Brasil somos todos mestiços, se você discorda, então olhe para trás, olhe a nossa história, os nossos ancestrais, o Brasil colonial não era igual a Portugal, a raiz do meu país era multirracial, tinha índio, branco, amarelo, preto.Nascemos da mistura, então por que o preconceito?Barrigas cresceram,o tempo passou, nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor, uns com a pele clara, outros mais escura, mas todos viemos da mesma mistura,então presta atenção nessa sua babaquice, pois como eu já disse racismo é burrice, dê a ignorância um ponto final:Faça uma lavagem cerebral!

Racismo é burrice!!

Negro e nordestino constróem seu chão, trabalhador da construção civil conhecido como peão, no Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia, é revistado e humilhado por um guarda nojento, que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós, pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói, o preconceito é uma coisa sem sentido, tire a burrice do peito e me dê ouvidos, me responda se você discriminaria o Juiz Lalau ou o PC Farias?Não, você não faria isso não, você aprendeu que preto é ladrão, muitos negros roubam, mas muitos são roubados e cuidado com esse branco aí parado do seu lado, porque se ele passa fome, sabe como é:Ele rouba e mata um homem, seja você ou seja o Pelé, você e o Pelé morreriam igual, então que morra o preconceito e viva a união racial,quero ver essa música você aprender e fazer a lavagem cerebral

Racismo é burrice!!

O racismo é burrice, mas o mais burro não é o racista, é o que pensa que o racismo não existe, o pior cego é o que não quer ver, Ee o racismo está dentro de você, porque o racista na verdade é um tremendo babaca, que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca,e desde sempre não pára pra pensar, nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar, e de pai pra filho o racismo passa, em forma de piadas que teriam bem mais graça, se não fossem o retrato da nossa ignorância, transmitindo a discriminação desde a infância, o que as crianças aprendem brincando, é nada mais nada menos do que a estupidez se propagando!!nenhum tipo de racismo - eu digo nenhum tipo de racismo - se justifica, ninguém explica, precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural, todo mundo que é racista não sabe a razão, então eu digo meu irmão, seja do povão ou da "elite"não participe pois como eu já disse racismo é burrice,como eu já disse racismo é burrice, racismo é burrice, e se você é mais um burro, não me leve a mal, é hora de fazer uma lavagem cerebral, mas isso é compromisso seu, eu nem vou me meter, quem vai lavar a sua mente não sou eu é você.


Letra e Música: Gabriel o Pensador

Professores da UFGD lançam livros

Será lançado hoje, no auditório da unidade II da UFGD alguns livros referentes ao Curso de História, o evento faz parte da comemoração de 35 anos do curso na universidade, que também contarão com a presença dos ex-professores, professores , alunos, e fundadores do curso, explanando fatos significativos, como os desafios enfrentados na universidade durante a época da ditadura, e os atuais desafios que a universidade vem passando, juntamente com os alunos que estão em fase de graduação. Entre os convidados a compartilhar suas experiências estão: Antônio Lachi, Wilson Biasoto, Benícia Couto, Irene Rasslan e Ceres Moraes
Às 20:00 será lançado, dentro do auditório os seguintes livros:

Conversão dos Cativos-Povos Indígenas e Missão Jesuítica
Autor: Graciela Chamorro, Protásio Langer
Aquidauana: A baioneta, a toga e a utopia nos entremeios de uma pretensa revolução
Autor: Eudes Fernando Leite
O medo instrumentalizado-Província Jesuítica do Paraguai(1609-1637)
Autor: Antônio Dari Ramos
Abordagens Interculturais
Autor: Losandro Antonio Tedeschi, Antonio Dari Ramos, André Luis Freitas da Silva, Cássio Knapp
Sertão Cosmopolita-tensões da modernidade de Corumbá 1872-1918
Autor: João Carlos de Souza
História da Mulheres e as representações do feminino
Autor: Losandro Antonio Tedeschi
Ensino da História-Trajetórias em movimento
Autor: Nauk Maria de Jesus
A taça do mundo é nossa!
Autor: Eliazar João da Silva
Fronteiras-Revista de História-v.10, n.18

O encerramento será amanhã as 20h, com o show da banda Bohemia Urbana do Paraguai, será aberto a toda comunidade, as comemorações pelos 35 anos começaram em 2008 com diversos eventos para marcar a data do desmembramento do curso de Estudos Sociais da Universidade Estadual de Mato Grosso (UEMT). O curso de História começou a funcionar em fevereiro de 1973.

Centro de Documentação Regional/UFGD

No dia 1 de abril de 2009 foi aberta a exposição do Acervo do Centro de Documentação Regional(CDR), vinculado a Faculdade de Ciências Humanas e localizado na unidade II da UFGD, a abertura contou com a fala do prof.Dr. Paulo Rberto Cimó, atual coordenardor do CDR, e marca também o aniversário de 25 anos do Centro de Documentação
Centro de Documentação Regional
É um órgão da Faculdade de Ciências Humanas da UFGD. Originado de um projeto elaborado por docentes da UFMS/Dourados, ainda na década de 1980, o CDR vem colecionando, desde então, material documental e bibliográfico referentes, especificamente, aos estudos regionais (abrangendo Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, região Centro-Oeste e Bacia Platina). Seu acervo serve sobretudo a pesquisas na área das Ciências Humanas.
Serviços Oferecidos
O CDR oferece aos usuarios :serviço de digitalização e reprodução de itens do acervo que já se encontrarem em suporte digital. No caso de documentos em papel, a depender do estado em que se encontre o material, permite-se que o interessado efetue a extração de fotocópias. Permite-se também que os usuarios reproduzam itens do acervo por meio de fotografia digital. O CDR não efetua, entretranto, empréstimos de seu material
Recebimenbto de Doações
O CDR aceita doações de quaiquer documento relativo à história de Mato Grosso do Sul(sejam documentos originaisou cópias, material bibliográficos, periódicos, arquivos pessoais etc.). Se for o caso, o pessoal do Centro dispõe de meios para deslocar-se até o local indicado pelo doador para retirar o material doado.
Acervo Bibliográfico
1) Livros, folhetos, separatas,teses, dissertações e monografias diversas, num total de quase 3.000 títulos, abrangendo aspectos históricos, econômicos, geográficos, literários, culturais, sociológicos, antropológicos, arqueológicos etc., de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, da região Centro-Oeste em geral e da Bacia Platina
2) Coleção SUDECO: Oriunda da biblioteca da extinta SUDECO ( Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste), incorporada ao acervo do CDR, por doação, em 1999, com cerca de 2.200 títulos (livros, folhetos, periódicos, relatórios e outros documentos).
Hemeroteca
1) Jornais e boletins diversos, exclusivamente sul-mato-grossense e mato grossense
2) Revistas, incluindo vários títulos de periódicos científicos, quase que exclusivamente sul-mato-grossense.
Acervo Documental
O Acervo documental do CDR encontra-se distribuído em coleções. Trata-se, ma maioria, de coleções abertas, isto é, que contimuam a receber novos itens. As coleções encontram-se em diferentes estágios de organizações, e poucas contam com instrumentos de pesquisas adequados. Contudo, em se tratando de pesquisas acadêmicas, pode ser franqueado o acesso mesmo às coleções ainda não-organizadas.


II Conferência Municipal de políticas de promoção da Igualdade Racial

Em 21 de Março de 1960, 60 negros foram mortos e centenas de feridos na cidade de Shapeville, África do sul, vítimas da intransigência e do preconceito racial, quando pacificamente realizavam um manifesto de protesto contra o uso de "passes"para os negros poderem vincular nas chamadas áreas "brancas" da cidade.Através deste fato, a ONU escolheu, em 1976, o dia 21 de março como o dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial.
No Brasil, foi promovida a I Conferência de Igualdade Racial, em 2005, sendoa primeira atividade oficial e pública do Governo Federal voltada exclusivamente para a construção do Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial, fruto do processo de lutas de diversos segmentos sociais.
Neste ano de 2009, a Prefeitura Municipal de Dourados, através da Secretaria Municipal de Assistência Social, realiza a II Conferência Municipal de Políticas de Promoção de Igualdade Racial, com o objetivo de construção da relação social, fundamental para visualizar a realidade de nosssa sociedade, elaborando e implementandomo Plano de Promoção da Igualdade Racial
O encontro teve início no dia 27 de março as 19h, e contou na abertura com apresentações culturais: Dança do bate-pau, da etnia Terena de Dourados, apresentacões da cultura Japonesa, desfile de alunas da Escola Municipal Loide Bonfim, Apae de Dourados e do Grupo de Capoeira coordenado pelo Mestre Guerreiro, onde tive o prazer de rever o meu ex-professor de capoeira o Mestre Guerreiro, acabada as apresentações deu-se inicio a mesa dos convidados, dentre eles estavam o Prefeito Ari Artuzi e o Vereador Aurélio Bonato em seguida a Professora Raimunda Luzia de Brito-coordenadora Estadual de Políticas de Igualdade Racial esplanou sobre o tema"Avanços, Desafios e Perspectiva da Política Nacional da Promoção da Igualdade Racial", concluinndo-se assim o término da noite.
No dia 28 de Março ás 7:30 foi o credenciamento de delegados; Às 8:00 leitura e aprovação do Regimento Interno da Conferência; 8:30 mesa redonda com os temas:Acões afirmativas:trilhando os caminhos das Políticas Públicas Municipais-Professora Edna Aparecida da Silva-Fórum de Diversidade Étnico-Racial de Dourados; 9:00 Umbanda:essa marginalia sagrada com o Dr.Mário de Sá-UFGD-FADIR; 9:30 Políticas Públicas para os povos indígenas-professor Maximino Rodrigues coordenador da Escola Municipal Araporã; 10:00 Intervalo Cultural; 10:20 II Mesa redonda com o tema: Relação de Gênero e diversidade Étnico-Racial com a Antropóloga Cíntia Beatriz Miler-UFGD e a Professora Gleise Jane Barbosa-Macha Mundial de Mulheres; 11:20 Avaliação e aplicação das Leis 10.639/03 e 11.645/08 com a Doutora Maria José-UEMS; 12.00 Almoço; 13:30 Grupos de Trabalho com os temas:Terra, Trabalho e Renda, Educaçã e Relações Étnico-Raciais, Segurança Públicas e saúde da polulação negra, Políticas Indígenas, Gênero e Relações Étnico-racias; 15:00 Plenária-eleição as propostas dos Grupos de trabalhos, eleição dos delegados a conferência Estadual de Igualdade Racial; 18:00 Enceramento da Conferência Municipal

"Não existem diferenças entre o desempenho de brancos e negros cotistas"

O título é uma frase da pedagoga Maria José de Jesus Alves Cordeiro,elaborada depois de um estudo que analisou o desempenho da primeira turma de cotistas da UEMS, do vestibular à formatura, realizado em seu doutoramento em Educação-Cirrículo na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professora Maju, como e mais conhecida no meio acadêmico, atuou como Pró-reitora de Ensino na UEMS de 200 a 2005, quando coordenou a implantação, nesta universidade, das leis estaduais que dispõe sobre a reserva de 10% das vagas em cursos universitários para indígenas (n 2.589/2002) e 20% para negros oriundos da escola pública(n 2.605/2003).
Em 2003, as leis foram regulamentadas mediante a discusão com as lideranças do movimento negro, indígenas, comunidade acadêmica e sociedade, resultando no primeiro vestibular pelo sistema de cotas. E, para avaliar o processo de sua implementação e resultados , Maju realizou uma pesquisa de Doutorado, cujos dados contrariam as afirmações de que o acesso pelas cotas derrubaria a qualidade de ensino e acirraria conflitos sociais. Segundo a pesquisadora , os resultados"melhoraram a qualidade de ensino, pois obrigaram os mestres e doutores a olhar ao seu redor e a conviver com a diversidade".
Sua tese,"Negros e Indígenas cotistas da Universidade Estadual de Mato Grosso do sul:desempenho acadêmico do ingresso à conclusão de curso", está disponível na biblioteca da UEMS.
Como foi desenvolvida a sua pesquisa?
Foram pesquisados os 37 alunos da UEMS, analisando-se e comparando-se o desempenho de brancos, negros e indígenas desde os dados dos vestibulares de 2003, 2004, 2005 e 2006, bem como as médias finais dos anos letivos de 2004, 2005, 2006 e 2007, ano em que os primeiros cotistas concluíram os cursos de quatro anos. Também foram aplicados questionários para a identificação do perfil dos cotistas e suas dificuldades. No primeiro vestibular pelo sistema de cota forma matriculados 1..337 brancos, 236 negros e 67 indígenas. Ao final dos quatro anos , foram aprovados 540 brancos (40,4% dos ingressantes), 71 negros(28,8%) e 9 indígenas(13,9% dos ingressantes).
Que dados foram identificados por trás desses números?
Identificamos que não há diferença relevante de desempenho entre brancos e negros, na trajetória acadêmica. O que existem são diferenças pontuais em alguns cursose séries que favorecem ora brancos, ora negros. também identificamos que o desempenho no vestibular não serve de parâmetro paraq avaliar o desenvolvimento dos alunos da UEMS. Em muitos cursos, os cotistas negros que entraram com notas menores que os candidatos brancos demonstraram maior rendimento na disciplinas. Analizandoo rendimento com a base nas médias acima de 6,0, os dados apontam , ainda, que os negros tiveram melhores resultados nas aréas de Ciências Exatas e Tecnológicas e os indígenas na de Ciências Humanas e Sociais. No entanto, a diferença entre o escores é mínima, tanto que, quando somamos os resultados finais das três áreas, os brancos, devido à diferença maior na área de Ciências Exatas e Tecnológicas, ficam com um percentual final de rendimento de 0,02 superior aos negros. A média geral de desempenho dos alunos da UEMS é de 56,1% de aproveitamento da disciplinas.
E quanto aos indígenas?
Quanto a este grupo, alto índice de abandono é o que mais sobressai na pesquisa e se sobrepõe em importância aos resultados de seu desempenho acadêmico. Dentre as dificuldades apontadas por eles estão a fraca formação geral recebida no essino médio; desconhecimento total sobre projetos , parcial ou nenhum conhecimento sobre informática, falta de tempo para a dedicação de estudos, ocasionada pelo trabalho que exercem nos demai períodos, a localização distante das aldeias e as dificuldades linguisticas(falta de domínio da língua portuguesa). Isso gera uma evasão muito grande, e aqueles que permanecem têm registrado muitas reprovações e dependências , impedindo a conclusão do curso juntamente com os outros alunos da turma. Sob o olhar meritocrático, isso pode ser considerado insucesso; no entanto, do ponto de vista político e social, presença de indígenas lutando para se formar, mesmo utilizando mais tempo , já é um sucesso.Investigar as causas da evasão no ensino superior, principalmente a indígena, é um princípio vital para a criação e realização de políticas educacionais voltadas aos povos indígenas no ensino superior e demais grupos étnicos. Este estudo já foi iniciado na UEMS, cuja pesquisa esta sob minha coordenação.
Então podemos afirmar que o sistema de cotas é válido?
A conclusão aponta resultados que justificam a política de cotas como sucesso do ponto de vista da inclusão, do combate à desigualdade, ao preconceito e à discriminação, contribuindo para minorar a situação do racismo e da exclusão social existente no Brasil. O sucesso também se dá do ponto de vista meritocrático, no momento em que muitos negros cotistas, independentemente da nota do vestibular, sobreviveram acadêmicamente às dificuldades impostaspelo aspecto financeiros, sociais, e discriminatórios, chegando à conclusão do curso ao mesmo tempo em que os demais e com resultados semelhantes. Pode der que a política de cotas não seja a melhor solução para combater a exclusão social e cultural, mas é a única política adotada até agora com bons resultados para promover a reparação, compensação e inclusão de negros e indígenas alijados do processo de aquisição do conhecimento durante toda a história do país.

fonte: Jornal da UEMS/outubro de 2008, pag.03