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Marçal Tupã'i

Dias atrás estava me lembrando do privilégio e prazer que tive em visitar a aldeia Piraqua,privilégio porque a aldeia se localiza muito distante de cidades, e seu acesso é muito dificultoso,prazer por saber que eu,Ronildo Terena, estava pisando em um espaço territorial onde aconteceu a morte de uns dos líderes indígenas guarani de suma importância, para a história indígena, o Estado de Mato Grosso do sul e para o Brasil, durante sua jornada Marçal de Sousa foi um homem defensor das causas de sua etnia
Marçal nasceu no dia 24 de Dezembro de 1920, na localidade de Rinção de Julho. Com oito anos de idade já morava na aldeia de Dourados,nos últimos anos de sua vida,tupã'i trabalhava na aldeia de Campestre,distante de sua família.
Este homem humilde se destacou pela luta incansável em favor de seu povo pelos discursos de grande lúcides, pronunciados em diversas ocasiões.Participou, nos últimos anos, de reuniões de líderes indígenas, de seminários, do filme"terra de índios"e, de improviso saudou o Papa João Paulo II, em Manaus, em 1980.Em todos esses momentos manifestou surpreendente clareza sobre o processo de espoliação que sofrem os povos indígenas e, ao mesmo tempo que conclamava todos a união, pronunciava a sobrevivência destes povos.
Em 1980, Marçal procurou o CIMI para localizar um grupo de 30 famílias a margem do Rio Apa,em Bela Vista, no Estado de Mato Grosso do Sul.Era a Aldeia Piraqua, cuja as terras se encontravam nos fundos da fazenda Serra Brava,desde então, Marçal foi irredutível na luta pela permanência desses índios em Piraqua, atendia aos doentes, fazia relatórios e acompanhava aqueles índios até a Funai.Passou a receber ofertas em dinheiro para convencer os índios a desocupar essas terras.Mas nunca se dobrou, mesmo quando o ameaçavam de morte.
Os criminosos continuam impunes, na região muitos sabem exatamente quem tem interesse neste caso, apesar dos telegramas e cartas de 22 países, exigindo o esclarecimento do crime; apesar das promessas do senhor Ministro da Justiça, prometendo rigor nas investigações, nada foi averiguado.Como explicar a descaracterização imediata do local do crime?, onde poderiam ser obtidas provas importantes, como explicar que a Policia Federal só atuasse no caso alguns dias depois do assassinato? Como explicar a nota da Casa Civil do governo do MS, culpando a mulher de Marçal pelo crime mesmo antes de iniciar qualquer investigação? como explicar que somente de 3 meses depois do assassinato, a Policia Federal tenha lembrado de efetivar a perícia nas balas encontradas no corpo de Marçal, recolhendo as armas dos principais suspeitos?porque faltou combustível e veículo impedindo que a Policia Federal efetivasse as investigações necessárias? até quando os crimes contra líderes indígenas continuarão impunes?
"Não podemos viver amedrontados,não devemos ter medo,eles poderão nos derrotar.Eles não sentem medo de nós e tiram nossas terras,nossos lugares e nossas imperfeitas existências terrenas.Quero que prestem muita atenção, que ouçam e meditem minhas palavras.Façam vocês o que nós fazemos,unão-se e façam-se fortes" (trecho de uma carta de Tupã'I aos índios da Argentina, Outubro/82)

Instituições de Ensino e acadêmicos indígenas na região da Grande Dourados

Com o aumento de alunos indígenas matriculados no Ensino Fundamental, no Ensino Médio e em alguns casos, os ingressos de alunos no sistema de Educação de Jovens e Adultos-EJA, houve uma grande demanda de alunos no Ensino Superior.Dados da Funai(2004)revelam que mais de 2.000 estudantes indígenas estão nas universidades federais, ou seja, que são 50% dos estudantes do Ensino Médio e menos de 1,5% dos alunos que são matriculados no ensino fundamental.Devido a esta demanda, começou-se a ter incentivo por parte dos governos, de instituições de ensino e iniciativas privadas alguns exemplos são:A UNIGRAN(Universidade da Grande Dourados),instituição particular que cede bolsas integral ou meia-bolsa para indígenas,a Universidade Estadual De Mato Grosso do Sul-UEMS,que tem um sistema de cotas para negros e indígenas em seu processo seletivo,a instituição Universidade Federal da Grande Dourados-UFGD,abriu um curso de licenciatura indígena para a comunidade Guarani/Caiua das aldeias do cone sul de Mato Grosso do Sul ,e também a Faculdade Teológia Ana Wollermam que neste ano(2009) contará com mais dois indígenas o Terena Gilberto Francisco Lili,e Leomar Mariano índio Guarani, ambos aqui da aldeia Jaguapiru cidade de Dourados,neste mesmo ano o terena Ezau Mamede continuará no 3 semestre do cuso de teologia.
Experências afirmativas envolvendo estudantes indígenas na educação superior resultam ofertas de bolsas para alunos de instituições privadas e públicas, ampliando cotas e bolsas oficiais como o PROUNI, a CAPES e bolsas oferecidas pelo CNPQ, onde outras instituições como a FORD, desde 2001, por meio de seu programa social oferece a nível nacional, bolsas a estudantes que ingressarem e permanecerem no Ensino Superior,em certos casos,já foram oferecidas a 10 estudantes bolsas para os cursos de nível de mestrado e uma para doutorado.
O surgimento de cotas e bolsas para o ingresso no Ensino Superior é, segundo Gersen Baniwa em seu livro:O índio brasileiro:o que você precisa saber sobre os povos indígenas do Brasil de hoje,"amenizar e corrigir, pelo menos por parte, a vergonhosa desigualdade e injustiça das práticas de seleção adotadas pelas universidades brasileiras".Devido a desigualdade na educação básica para a população menos favorecida e onde surge a dificuldade na disputa com estudantes de escolas privadas, pelas vagas oferecidas normalmente em processos seletivos.

A riqueza das línguas indígenas



Segundo estudiosos e pesquisadores das áreas linguísticas,existiam no Brasil em 1.500 entre 1.200 a 1.500 línguas indígenas, quando Pedro Álvares Cabral chegou a Porto Seguro, no Atual estado da Bahia.Destas, somente 180 ainda são faladas hoje e delas mais de 40 estão ameaçadas de extinção em curto prazo por números reduzidos de falantes,uns dos motivos seria que, algumas etnias estariam substituindo por outras línguas majoritárias, outros povos já perderam completamente as línguas originais, é importante saber que a qualquer momento uma língua indígena pode estar sendo falada pela ultima vez, com é o caso da língua xipaia, do povo Xipaia no estado do Pará, que em 2.006 contava apenas uma pessoa de idade avançada como falante, quando ela falecer, levara consigo parte da história de seu povo,é relevante a diversidade lingüística, pois ela é um instrumento de reprodução, produção e transmição de conhecimentos próprios, valores étnicos que só devem ser passados naquela língua em particular, ela é um sinal de identidade étnica, mas não é a única, e também ao lado de outros elementos culturais, como a relação com a terra, a ancestralidade cosmológica, tradições culturais, os rituais e cerimônias .
Sabendo desta importância percebe-se que no período colonial foi imposto o monolinguismo, que negava-se a aceitar a língua dos povos indígenas, oprimindo-as de qualquer forma, a língua falada ou escrita é um poderoso instrumento de liberdade, de autonomia, de felicidade,do ponto de vista individual e coletivo, não foi o caso que os índios foram considerados o principal instrumento para dizimar as línguas indígenas foram as escolas, ela esmagou, arrasou, ignorou conhecimentos, perseguiu e proibiu culturas, tradições, ritos e cerimônias, seguia com rigor o monolinguismo no Brasil, a proibição e perseguição das línguas indígenas resultaram prejuízos socioculturais e identidários para esses povos, somente em 1970 a partir da mobilização emergente com o apoio de movimentos indigenista e indígena autônomo, que pressionou o estado acusando-o da prática do étinocídio, os professores indígenas começaram a se organizar, junto com as outras lideranças locais, a assumir os rumos das escolas instaladas em aldeias, em 1988 a constituição federal estabeleceu princípios de pluriétnicidade do país reconhecendo as línguas indígenas e seu direito, seus próprios processos se educação, iniciou-se então o rico período atual de surgimento de escolas, professores, e materiais didático bilíngüe, valorizando ainda mais as línguas, tradições e o mundo cultural indígena,fazendo resurgir novamente toda a história
Ronildo Terena

Terras indígenas no Brasil






TERRAS INDÍGENAS NO BRASIL


As terras indígenas no Brasil, estão demarcadas, mas existe muitas terras para serem regularizadas, há muitas etnias que se encontram sem terra e/ou que estão com terras insuficientes, para garantir a sobrevivência de um grupo a falta de espaço acarreta na dificuldade de sobrevivência física das comunidades e também ameaça a própria comunidade étnica, a medida em que impede a realização de práticas tradicionais como rituais, cerimônias, festas e outras tradições fundamentais para a reprodução da cultura ancestral do povo.
Antes da constituição de 1988, o direito dos povos indígenas era muito pouco claro, abrindo um leque com diversas interpretações, nota-se, as terras indígenas demarcadas antes de 1988 são muito reduzidas, gerando uma crescente pressão por retomadas de terras em todo o país, um levantamento preliminar realizado em 2.005 pelo Fórum de Defesa dos Direitos Indígenas(FDDI) indicou que existiriam mais de 600 terras indígenas reivindicadas pelos povos indígenas que estão sem nenhuma providencia administrativa, no compus dessas 600 terras incluem-se 125 constantes no Banco de Dados da FUNAI na fase de providencia de estudos, o fato é que há elementos sóciopolíticos fortes para se acreditar na demanda indicado por esses dados, no campo mais geral, a pressão externa sobre as terras indígenas tende a aumentar, na medida em que as frentes agrícola-pastoril avançam sobre os últimos recantos de florestas e terras nativas, graças ao modo de vida e da cultura indígena, imagens fornecidas por modernas fotografias de satélites demonstram que as terras indígenas brasileiras são as mais preservadas,elas vão se transformando a cada dia em verdadeiras ilhas no meio de imensas áreas destruídas de campos ou lavouras de monocultura.
Mas é necessário também políticas de apoio e incentivo as alternativas econômicas de auto-sustentação associadas á valorização cultural, preservação do meio ambiente, melhoria das condições de vida, de forma eqüitativa e solidária, para garantir o direito de posse e exclusividade as terras tradicionais por causa de invasões, degradações, reduções, arrendamentos e impedimento de posse por forças de liminares judiciais.Cresceu assustadoramente a interferência do Poder Judiciário na processo de reconhecimento e regularização das terras, com tendência de se tornar o mais novo aliado das elites políticas e econômicas contra o direito dos povos indígenas, mas o direito estão assegurados na Carta Magna do país, fortalecendo ainda mais o direito ao uso das terras tradicionalmente indígenas.


Ronildo Terena